
Literatura
-Primeiras Letras
Luiz Carlos
Amorim
Crônicas
O BALAINHO – BOLETIM DE LITERATURA INFANTO-JUVENIl
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Três
anos e quinze números depois, "O
Balainho" é um sucesso editorial. Tanto que, além de ter
conquistado fiéis leitores catarinenses que receberam o boletim através
de uma mala direta, o jornalzinho já chegou a pessoas em outros
Estados. "Soube que o número três foi lido numa rádio comunitária
em Nova Mamoré, em Rondônia", conta satisfeita Eloí Bocheco, 45
anos. O
boletim é patrocinado pelo Centro das Ciências da Unoesc, de Joaçaba,
desde o segundo número, editado em novembro de 1999. A primeira edição
saiu com 250 exemplares com o patrocínio do comércio da cidade - uma
livraria e uma cantina universitária. A repercussão foi tão grande
que em poucos meses o periódico estava sendo distribuído em 2.500
endereços. Além das críticas acadêmicas, um outro tipo de retorno dá muita satisfação a quem faz o jornal. "Há muitos pais telefonando, lendo as colunas, mandando sugestões. Dia desses recebi a carta de uma mãe de Timbó falando da diferença que ela começou a sentir entre a publicação literária e o livro de modelo consumista que anda por ai. Isso me alegra muito", observa Eloí Bocheco. A campanha do "O Balainho", estendeu-se a outras áreas. "Antigamente existia um certo rótulo de quem devia se preocupar com a leitura eram os professores de português. Hoje, recebemos comentários de quem ensina física, química, matemática, geografia, fisioterapeutas. Quem quer uma sociedade melhor, diferente da que está aí, deve se preocupar com a formação do leitor", explica. Flexibilidade
As
duas educadoras do boletim preferem adotar uma linha flexível em relação
à edição. Há poucas colunas fixas, como "Todo Balaio Mágico
Tem...", com sugestões de leituras, e o espaço dedicado a comentários.
Só isso. Quem manda na edição são os próprios leitores. "Até
os títulos foram recriados muitas vezes", conta Eloí. O espaço
consolidou-se como um dos mais lidos trazendo a cada três meses cerca
de dez títulos de autores nacionais, e catarinenses. Uma das fontes de
consulta para sua elaboração é a lista publicada pela Fundação
Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que sai em maio com os melhores do
ano anterior. "Indicamos os premiados, mas não só eles, porque
senão pode virar cartel. Há obras não premiadas que as crianças
amam. Sem ler, raramente indicamos algum autor", salienta Eloí. Mas
ainda são poucas as indicações da produção literária
infanto-juvenil catarinense. "A produção é muito esparsa. É difícil
chegar até as obras - as livrarias não mostram os livros daqui. As
pessoas publicam, mas divulgam apenas em suas regiões", lamenta a
professora aposentada. Uma outra questão também impede a circulação
do que está sendo feito no Estado para o público infanto-juvenil.
"As estórias ainda estão muito comprometidas com as questões
morais, com a predominância de ensinamento, premiando o menino
bonzinho. Se a literatura quer dar uma lição, essa tem de ser de
liberdade", diz. Para
Eloí Bocheco, o jornal é a continuação de uma paixão que a levou a
ensinar língua portuguesa e literatura há 30 anos. "A leitura é
insubstituível. Não há outro veículo que consiga mobilizar tanto as
pessoas. Lamento que muitos educadores ainda não tenham descoberto o
seu valor. Todos os textos são importantes, mas quando se trata de
abrir e ampliar horizontes, o texto literário é criativo, aquele que
permite olhar o mundo de forma lúdica e inventar a linguagem",
explica. |