
Literatura
-Primeiras Letras
Luiz Carlos
Amorim
Crônicas
O
MENINO POETA
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“O Menino Poeta” traz poemas para crianças, cantados e declamados, de grandes poetas como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e outros. As declamações são de ninguém mais, ninguém menos que Irene Ravache. Os poemas musicados são cantados por Solange Maria, Mirinha e Coral Infantil. Quem colocou música nos poemas cantados foi Antonio Madureira, que também fez os arranjos e dele também é a regência. Achei e continuo achando fantástico esse recurso de colocar a poesia para ser cantada, para um público que, como bem diz e repete minha amiga Eloí Elisabet Bocheco, entende e ama a magia e o encantamento desse gênero literário. Isso favorece que aproximemos a literatura de nossas crianças desde muito cedo, para que esses leitores em formação tenham o gosto pela leitura. Os poemas de Quintana, Drummond, Vinícius, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima, Henriqueta Lisboa, Stela Leornardos, Mário de Andrade estão deliciosos na voz da excelente atriz Irene Ravache ou cantadas pelo coral ou pelas cantoras Mirinha e Solange, conferindo-lhes, quem sabe, mais lirismo e mais alegria, reinventando o mágico e o lúdico na cultura infantil. Que melhor maneira de iniciar nossas crianças na poesia, na literatura, do que apresentá-las à obra de grandes mestres na mais tenra idade? Sempre defendi que a criança que gosta de ler e que sabe o que ler é a criança que conviveu com livros e com literatura desde muito pequena, em sua casa, com sua família. Não sei se os Estúdios Eldorado, que produziram o disco, lançaram essa seleção em CD. Espero que sim, pois seria uma pena se mais crianças e mais pais não pudessem conhecer um trabalho tão bom em prol da disseminação da boa poesia. Abaixo, sete poemas dos dezesseis que estão no disco: CANÇÃO DA GAROA Mário Quintana Em cima do meu telhado, Pirulin, lilin, lulin, Um anjo todo molhado Soluça no seu flautim. O relógio vai bater: As molas rangem sem fim, O retrato na parede Fica olhando para mim. Chovem sem saber por que... E tudo foi sempre assim” Parece que vou sofrer: Pirulim, lulin, lulin... ARCO-ÍRIS Ascenso Ferreira -Como é bonito! Como é bonito! Cheio de cores... cheio de cores... -Viva o Arco-Íris! – ecoa um grito. -Oh! Como é belo! Tem sete cores... -Está bebendo água no riacho! -Vamos cercá-lo... vamos cercá-lo -Vamos passar nele por baixo! -Vamos passá-lo... vamos passá-lo... -Fugiu do riacho... Subiu o monte... -Vamos pegá-lo... vamos pegá-lo... O monte é no alto... Só o horizonte vazio resta... Onde encontrá-lo? Fugiu... A chuva fina tem carícias de morte... Fugiu... Para o Sul? Para o Norte? -Quem sabe? Desapareceu... Além... Vida – Arco-íris também... O MENINO POETA Henriqueta Lisboa O menino poeta não sei onde está procuro daqui procuro de lá tem olhos azuis ou tem olhos negros? Parece Jesus ou índio guerreiro? Trá-lá-lá-lá-li Trá-lá-lá-lá-lá. Ai! que esse menino será, não será? procuro daqui procuro de lá. O menino poeta quero ver de perto. Quero ver de perto para me ensinar as bonitas coisas do céu e do mar. CANÇÃO DE JUNTO DO BERÇO
Mário Quintana Não te movas, dorme, dorme O teu soninho tranqüilo. Não te movas (diz-lhe a Noite) Que inda está cantando um grilo... Abre os teus olhinhos de ouro (O Dia lhe diz baixinho). É tempo de levantares Que já canta um passarinho...
Sozinho, que pode um grilo Quando já tudo é revoada? E o dia rouba o menino No manto da madrugada... Bãobalalão (do “POEMA QUIXOTE E SANCHO DE PORTINARI) Carlos Drummond de Andrade Epa! Pula gordo, vira balão de São João. bãobalalão senhor capitão de banha balofa e jeito vilão. Epa! Baixa, gordo cara de bufão bola no chão, bãobalalão senhor capitão de fato balordo e roto calção. Epa! Salta e baixa truão baixa e pula, glutão cataprus bolo de feijão dãodarãodandão! A ESTRELA POLAR Vinícius de Moraes Eu vi a estrela polar Chorando em cima do mar Eu vi a estrela polar Nas costas de Portugal! Desde então não seja Vênus A mais pura das estrelas A estrela polar não brilha Se humilha no firmamento Parece uma criancinha Enjeitada pelo frio Estrelinha franciscana Teresinha, Mariana, Perdida no Pólo Norte De toda a tristeza humana. CANTIGUINHA DE VERÃO Mário Quintana Anda a roda Desanda a roda E olha a lua a lua a lua! Cada rua tem a sua roda E cada roda tem a sua lua No meio da rua Desanda a roda: Oh, Ficou a lua Olhando em roda... Triste de ser uma lua só! |