Beija-Flor - Quase Abril
O meu amor é como um beija-flor. Dentro
dele mora um pequenino Ser de cristal flexível que é pura poesia e luz –
e é desse pequenino Ser de tamanha intensidade que irradia aquela
energia toda, que faz o meu beija-flor ter tamanha leveza e velocidade
nas suas tênues asas quase translúcidas de tanta ansiedade por tudo
conhecer!
Às vezes penso no meu amor como
beija-flor; às vezes, penso como borboleta. O fato é que ele vai, e
adeja, e investiga, e com seu fino bico de beija-flor suga o néctar do
Conhecimento de dentro de diversificados livros, de diversificadas
culturas, de diversificadas pessoas. Também adeja ele por sobre a
extrema sensibilidades de coisas como a Poesia mais refinada, e fica até
um pouco atrapalhado quando é pego de surpresa, com seu jeito de homem
sério, e todo mergulhado na alta sensibilidade dos melhores textos que
falam à alma!
Ah! Esse meu amor que é tão querido,
e que enrubesce como menino de primeira comunhão quando recebe um elogio
de quem gosta, como vi um dia como enrubescia ao lado de um seu
professor lá dos tempos da juventude, um professor que soubera lê-lo e
entendê-lo tão bem, e que sabia com muita certeza o beija-flor que havia
dentro dele!
E o meu amor é lindo, mais lindo que
aqueles beija-flores verdes e vermelhos que aparecem misteriosamente nas
manhãs de Primavera, alimentando-se da doçura escondida lá no mais
profundo dos misteriosos hibiscos coloridos que são como milagres de cor
nas cercas-vivas, e o meu amor tem aquela leveza que os beija-flores têm
quando pairam no ar como se flutuassem, enquanto se alimentam do néctar
mais puro!
Também o meu amor me faz pensar em
borboletas, na sua fragilidade tão emocionante, pois ele é capaz de
sentir e sofrer como só os mais refinados artistas e os maiores amantes
da Humanidade o podem. Ele é um pouco acanhado, como um menino de dedo
na boca se escondendo atrás da cadeira da mãe, mas não tem pejo de
chorar em público quando seu coração dói pela Justiça, pelos outros,
pelos povos, não importa a distância em que estão esses outros que
precisam de Justiça.
Ah! Esse
meu-amor-beija-flor-borboleta – o que a gente faz com um amor tão lindo
assim? Só resta amá-lo – o que mais se há de fazer?
Blumenau, 30
de Março de 2006.
Urda Alice
Klueger
Escritora |