Pois não é que me incomodei de novo? E desta vez não foi só com o
0800, como duma outra vez que aconteceu em 2005 – desta vez foi com
a própria empresa e o 0800 juntos.
Vamos ver o que acontece: faz
cinco décadas que vivo neste mundo de meu Deus, e tanto quanto
saiba, até hoje não fiquei devendo nadinha de nada para nenhuma
pessoa ou lugar, nem aqui no Brasil nem nos outros países por ando
por aí afora. Paralelamente, sou cliente da empresa telefônica
chamada GVT já faz um bocado de anos, já nem sei quantos: ela me
fornece uma linha telefônica e uma linha para a Internet. Pago
minhas contas em dia, diretamente em débito bancário, e não é muito
pequena a conta que pago, não – juntando a Internet, dá lá em torno
de uns 200,00 reais mensais, o que, acho, para uma pessoa física,
não é uma conta pequena.
Daí, no dia 06 de março de 2006 a
Associação Comercial do Paraná emitiu uma cartinha para mim,
avisando que “por instrução do credor”, eu estava sendo incluída no
SPC (lá do Paraná – eu moro em Santa Catarina, outro Estado). Se
tivesse alguma dúvida, que ligasse para o nr. 0800 0522525. Muito
intrigada, liguei, e uma moça bastante gentil explicou-me o que
ocorria: que eu fizera 3 ligações telefônicas (gente, uma é de 0,49
reais!!!) usando o código 25 (que é da GVT) num telefone da Brasil
Telecom.
Bem, desde que me lembro tenho
também um telefone da Brasil Telecom , também pago através de débito
bancário – que é que acontecera que as 3 ligaçõezinhas não tinham
sido pagas? Duvidei bastante da coisa, mas a moça estava sendo muito
gentil e prometeu mandar-me novamente as faturas, que chegariam em 7
dias.
Vou fazer um parêntesis para
inserir aqui o que sei que esses monstros chamados Multinacionais
fazem com os seus pobres atendentes das linhas 0800, e que já
escrevi em outro texto.:
“(...)quando falo em tadinhos,
não quer dizer que esteja a depreciá-los: estou é querendo dizer que
são grandes vítimas de um Monstro chamado Capitalismo, que lhes
paga um salariozinho de fome, lhes faz decorar algumas frases sempre
iguais, lhes obriga a não cometerem nenhum ato de piedade ou de
humanidade e lhes faz a aturar todos os estresses que o tal
Capitalismo lança sobre os consumidores dos seus produtos. No caso
da GVT não é diferente. Com a gentileza que são obrigados a terem
para não serem colocados no olho da rua e serem incorporados às
multidões de excluídos que o Capitalismo vem formando, sempre maior
multidão destinada à morte pela desassistência e pela fome(...)”...
Pois é, taí o que penso daquelas centenas, milhares de jovens que
ficam tentando ser gentis com a gente quando a empresa quer que eles
nos matem e nos esfolem, o que nos causa as grandes revoltas e
nervosismos que acabamos devolvendo a eles, e eu imagino que a
maioria deles viva com dor de estômago, de cabeça, ou quem sabe até
em depressão, de tanto levar bronca imerecida, broncas direcionadas
aos seus nababos patrões desconhecidos, que decerto neste instante
estão por aí refestelados em iates fabulosos ou vomitando champanhas
cujo preço de uma garrafa é maior do que o dos salários mensais dos
pobres atendentes que estragam sua saúde para mantê-los a jogar
dinheiro fora em cassinos de luxo – e como tenho esta clareza quanto
ao que é feito com os seres humanos que atendem o 0800, desde já
peço a eles desculpas pelas vezes em que também me irrito e repasso
para eles o que não tenho como repassar àqueles donos do Capital e
do Poder que, como se fossem Santos do Céu, permanecem inacessíveis
à nossa reles ira humana.
Ta, mas voltemos ao meu caso
específico com a GVT. Passaram-se os 7 dias, passaram-se 14, e nada
de as tais faturas chegarem. Voltei a ligar, então. Outra pessoa
gentil atendeu, e diante do meu número de protocolo, achou
ligeirinho as faturas que me tinham sido enviadas e devolvidas pelo
correio com uma observação mais ou menos assim: “endereço não
localizado”, ou algo equivalente. Confirmei o endereço: era
exatamente o meu, com rua, número, apartamento, CEP, tudo.
Estávamos, portanto, diante de uma falha do correio.
Como sou pessoa que recebe pilhas
de correspondência por dia, aquilo me parecia uma brincadeira.
Solicitei à atendente que voltasse a me mandar tais faturas com AR
(Aviso de Recebimento), portanto, mas sabe como é, os escravos do
Capital não podem falar uma palavrinha fora do que lhes é permitido,
e ela não podia dizer alguma coisa assim: “Ta certo, vou repassar
seu caso para meu chefe”, ou algo assim. Só podia me confirmar que
receberia as novas faturas até o dia 11.04.2006. Voltei a esperar,
portanto.
Hoje, olhando para o calendário,
dei-me conta que já estamos a 13.04.2006 – cadê as faturas da GVT?
Voltei ao 0800, tive um trabalhão mas consegui falar com uma
supervisora – claro que a GVT iria resolver o meu caso! Resolveu?
Uma ova! Por mais de uma hora penei ao telefone, sendo empurrada
para um e para outro, contando minha história desde o começo seis
(SEIS!!!) vezes de novo – sem a menor sombra de solução à vista, e
então achei por bem começar a reclamar via a página da Internet
www.gvt.com.br,
onde há um espaço para reclamações. O caso é que a gente só pode
reclamar um pouquinho, lá, passou de 800 toques (algumas linhas),
eles cortam – e então fui mandando minha reclamação aos pedacinhos.
Que fizeram? Lá pelo sexto pedacinho .... CORTARAM MEU ACESSO às
reclamações. Tem dó, né, gente! Eu tinha prometido ao pessoal da GVT
que botaria a história no sino grande, conforme teria dito a minha
avó, e aí está, no sino bem grandão, nos muitos ouvidos pela
Internet e outros veículos por aí. Tenho medo que me cortem a
Internet – mas daí sempre se pode ir a um café cibernético e dar um
jeito. O fato é que se eu souber que por causa de continhas mínimas
de 2003 e 2004 (quando penso que já era cliente da GVT fazia tempo)
estou hoje com o meu crédito estragado, a coisa não há de ficar
barata, não. Da última vez que resolvi mesmo peitar uma briga,
chegou-se a uma decisão do Supremo Tribunal Federal! Já aconteceu
alguma coisa parecida com você? Não sei, mas sei que eu, cá, estou
me sentindo uma palhaça.