
Crônicas
Urda Alice Klueger
O Menino e os astros - Maio
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Não sei, mas sei que na próxima noite ele vai estar lá muito pertinho dela, dessa lua ainda quase cheia, e tão absurdamente linda, voando dentro de um pássaro de metal. Um dia o meu amor era um menino que espiava os astros deitado na grama dos campos da sua cidade natal e sonhava em ser astrônomo! Pode um menino sonhar coisa mais linda? Foi assim que ele se fez, se formou, de raios de lua e de estrelas, sonhando um dia acessar a lente do Observatório de Monte Palomar, imagino! Aquela iluminação toda que recebeu deitado na humildade da grama da sua cidade encheu-o de luz por dentro, e nem Monte Palomar poderia ter feito dele um Ser de tamanha luz! Foi aquela combinação de grama, menino e astros que criou o Ser Humano tão fantástico que hoje me invade e me arrasa com a sua beleza que o transforma num Poeta. Naqueles tempos de infância decerto ele não poderia imaginar as coisas do futuro. Não saberia que no século XXI Monte Palomar já não seria tão importante, nem que viajaria dentro de pássaros lá tão alto, quase podendo segurar com a mão a beirada da lua que mantenho cheia de recadinhos! Meu menino que cresceu manteve por dentro a sua criança, e quando voa assim, a 10.000 metros de altura, com pose de sério e sisudo, espia os astros desde aquele lugar privilegiado com a mesma curiosidade e encanto que se apossaram dele nos tempos em que tateava o aprendizado da vida deitado num leito de grama! Ah! Meu menino, meu amor, meu astrônomo, que fica tão sério e disfarça quando alguém consegue ver dentro de você aquela criança que sonhava com os astros! Pode alguém ter mais doçura que um menino assim? Você pode até tentar salvaguardar a sua aparência de homem sério, que se preocupa com as coisas sérias que os homens sérios devem se preocupar, escondido atrás de uma barba tecida de fios de lua - mas eu sempre vou saber daquele menino que sonhava com Monte Palomar! Você fez com que se criasse dentro do meu peito um universo inteiro, onde cabe você e todos os seus astros e luzes – e o que eu posso pedir da vida, ainda, além da graça de poder amá-lo?
Blumenau, 15 de Maio de 2006.
Urda Alice Klueger Escritora |