Poemas

Pedro Cardoso Machado

  ACARINHAR

São as armadilhas do seu remelexo

Que fazem enxamear os meus olhos

Para cada ponto do seu ávido corpo

Que esbanja sensualidade e desejos.

 

Sua boca suculenta, a dizer-me ais

Quando nos beijamos e nos damos

Em movimentos delicados e banais,

Dita o toque prolongado e dengoso.

 

São estas peripécias que desnudam

Os meus segredos e sem o vil medo,

Sinto sensações únicas e lânguidas

Que levam-me ao delírio e ao gozo.

 

Estas cálidas caricias preliminares

São os instrumentos de preparação

Para o evento final, objetivo ímpar

Dos mitos e dos amantes inquietos.

 

Este acarinhar supremo e corajoso

Não deve ser esquecido ou perdido

E sim, lembrado, avivado, lambido,

Como se fosse o mel. O sexo, o cio.

 

Acarinhar de forma única, o outro,

É dever mútuo de amantes carnais,

E também de eventuais e vis casais 

Em seus delitos marginais e banais.

 

Me põe a cavalgar em seus galopes

Por entre os veios e os vários picos

E bicos, e nascentes, e vertentes. E

Desfrute do meu corpo, do meu eu.

 

E, quando me tiver nu e entregue,

Traga à luz seus doces predicados,

Esqueça os possíveis e vis pecados

Ora escondidos, ora atormentados.

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