
Poemas
Ana Luísa Peluso
Ato Passado
Estou
cansada
de atos infantis.
De retratos a esmo
em minha vida.
De
pessoas que enganam
Fingindo que existem
Na forma que se apresentam
Estou
ferida
com a frieza
Diante de vidas.
Com a falta de tato
dos ditos sensíveis
Da falta, no trato,
Em seus corações.
Estou
abatida
pelas escolhas
Erradas que me permiti
Por crer,
Existirem pessoas
que amam
Como amo eu
Estou
vencida
Por forças ocultas
Por laços passados
Por formas vazias
Por sonhos vãos
Pela falta de ti
Na tua presença.
E
me pergunto:
Onde está você,
Quando se senta
A minha frente?
Estou
colorida
De todas as cores
Que me pintaram
E sequer perguntaram
Sobre minha alva vida...
E
existem cores
Demasiado feias
Para estarem aqui
Tingindo meu ser
Estou
relutante
Em crer novamente
Tantas vezes o fiz
E foi crença de tola
Se
sou tola?
Ainda não sei,
Mas já me imagino...
Palmas
para a tola!
Vaias para tola!
Ouro para a tola!
Tirem da tola,
O que à tola pertence.
Estou
suada,
e nào é de prazer!
É de correr,
Na vã tentativa
De construir
E
tudo o que fiz,
você destruiu,
E você desmontou
E você aí, desprezou.
E jogou fora,
Meu labor,
Minha obra,
Meu sustento
Minha alegria
Na moderna
filosofia
Do auto-ajudar-se
Bolhas
de champanhe
Para você.
O liquido sorverei eu.
A você, restam as bolhas!
A lhe causar espirros.
Miseráveis,
destruidores de sonhos!
E de sustentos...
Estou
parada. Apenas olhando
O desenrolar dos fatos.
No aguardo dos conformados.
Na beirada dos infelizes
Na queda dos desistentes
Na ante-sala da mente
Apenas
parada.
Apenas quieta.
O silêncio do dever
cumprido
Já não me anima mais
Mas ao menos me diz:
Nào erraste! Tentaste!
E seja lá o que for dessa vida
Passa,
Tudo passa.
Até
a dor.
Até a inexistência.
Tudo passa obediente
Por mera razão de ser
Ato passado.