Poemas

Ana Luísa Peluso

Empatia
27/11/2000

Aos olhos do mundo devo parecer falsa
Me acharão falsa após minha ida 
Mas não sou
Apenas vejo meu lado.

 

E o teu.
E o lado do turista que passeia nas praias
O lado do meu vizinho
Do meu amigo
Do inimigo
Do mendigo e do doutor
Do acadêmico e do pedreiro
Da vítima e do algoz.

 

Vejo,
Não quer dizer que ajo
Penso,
Não quer dizer que falo
Calo,
Não quer dizer que aguento

 

Mas não rebento
Apenas lamento
Os desencontros da vida

 

As almas que se perderam de vista
O tempo que não tem retorno
As palavras nunca ditas 
Por quem tem medo do escuro
Medo de pensar, de procurar
Medo de aprender a ouvir.

 

Dou graças aos meus ouvidos 
Por garantirem que eu entenda 
As várias cabeças do mundo.

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