
Ana Luísa Peluso e Vânia Moreira Diniz
Ana
Luísa Peluso e eu nos conhecemos e pelos textos que escrevíamos nos
identificamos em ideais, sonhos e pensamentos. Queríamos antes de tudo um mundo
melhor, mais forte, menos sofredor, com mais igualdade e nenhum excluído. Queríamos
olhar o horizonte e entender que as pessoas que habitavam esse planeta, todas,
tinham as mesmas condições, privilégios, bem-estar e que poderiam cumprir sua
missão sem torturas ou indiferenças.
Sabíamos
que nós mesmas tínhamos nossos próprios sofrimentos, instantes difíceis em
que os sentimentos se confrangem pela presença de aflições irremediáveis.
Mas isso faz parte do próprio caminhar. E também embora difícil se inclui nos
encantamentos que a existência proporciona. A lei dos contrastes e das compensações.
Mas
o tipo de sofrimento de desamparo angustiante e de miséria já é algo que
somos responsáveis até pelo fato de pertencermos à mesma espécie humana.
Desde
pequenas pensamos nisso embora tenhamos nascido em berços e lugares diferentes,
mas estávamos ligadas e conectadas só à espera do “link” que nos uniria.Não
sei se para muitos se trata de uma utopia. Mas queremos experimentar e lutar por
essa utopia que pode ser em última
análise a esperança salvadora de muitos.
Vemos
nos olhos de nossa consciência crianças que passam fome e cujos ossos se
destacam na fina pele que os cobre, pais que sofrem, as guerras avassaladoras,
entes excluídos quer pelo nascimento, deficiências, doenças ou porque
simplesmente pertencem a credos e raças diferentes.
Ana
Luísa e eu também temos o mesmo desejo de lutar pela cidadania , tão
esquecida e relegada a um plano de inexistência em que os direitos humanos, o
bem maior dos cidadãos não é praticado. E para o fato de não termos um gesto
de solidariedade para nosso irmão de estrada e já está na hora de nos
conscientizarmos da extensão de nossa responsabilidade.
A
amizade que nos une nos dá o direito e o dever de lutarmos pelo que sonhamos em
nossos momentos mais dourados da adolescência vibrante e que ficou enclausurado
no peito sem podermos expandir. Esse
é o momento que encontramos e achamos propício de unirmos amizade e ideal. E
empreendermos uma batalha por um mundo mais justo, mais humano e menos
individualista em todos os aspectos.
Quero,
para finalizar, dizer o quanto é importante a amizade de Ana Luísa e o quanto
admiro seu espírito de justiça e anseios por um universo justo e humano.
Idealista e galgando seu espaço com força e coragem, inserido no talento
primoroso que exibe a cada texto e excepcional força interior, admirei-a desde
que a conheci e sua amizade além de me enternecer me orgulha e encoraja. Por
isso a parceria: objetivos idealísticos e verdadeira amizade.
Vânia Moreira Diniz
02-04-2001
Parceria
de amizade e ideais é quando você funde sentimentos e conceitos, em um só
ideal. Foi isso que se deu com Vânia e eu. Primeiro surgiu uma profunda
amizade, galgada aos poucos, como um subir de escadas. Rápida sim, porque nos
últimos tempos do final dos tempos, tudo tem sido muito rápido para todos.
Deus anda com pressa de entregar sua tese: nós.
E
dessa percepção de ideais semelhantes, surgiram as trocas de idéias, o
reconhecimento mútuo de nossos talentos. O significa que ela gosta do que
escrevo, e eu gosto do que ela escreve. E mais e mais coincidências e
surpresas, sensações, sonhos que pretendemos realizar, justamente por que
somos muito parecidas. O sonho de todos é nosso também.
“O
que é ser humanista?”, perguntei eu a Vânia certa vez, por e-mail.
Ela
me disse que uma humanista é quem estuda os problemas da humanidade, tudo
exatamente que ela cita no texto acima. Mas havia um trecho específico que me
chamou minha atenção naquela resposta de e-mail, e hoje divido esse trecho com
vocês:
“Ana,
uma humanista estuda os problemas exatamente da humanidade: As guerras,
a fome, a dor das pessoas em seus detalhes ínfimos e principalmente o
martírio dos excluídos e através disso procura entender a forma mais
humana de entendê-los e auxiliá-los, procurando um remédio que talvez
seja impossível encontrar. Assim como os cientistas pesquisam a cura da
Aids ou do Câncer o humanista estuda uma maneira de aliviar a
humanidade quando enfrentam a dor que os médicos ainda não curaram. Não
é um psicólogo. É um avaliador do sofrimento e da alma humana.
Sei que é teórico, mas sem isso não encontraríamos a maneira de
soerguer as pessoas e tentar convencer os poderosos na luta contra as
intempéries que assolam o mundo inteiro”.
Pronto,
ler isso foi o que bastou! Havia encontrado alguém que sonhava meu sonho, e
achava isso tudo possível como eu acho!
E,
além disso, nossa ligação com a literatura e a arte, de uma forma geral é tão
enormemente vivida, da mesma forma por ambas que acabou por nos aproximar ainda
mais.
E
fomos percebendo que a arte tem um papel muito importante dentro do humanismo.
Ela denuncia, ela sensibiliza “os apáticos, essa grotesca forma de ser”,
como bem diz Plínio Marcos no texto “O Ator”.
Muitas
vezes pensei em parar tudo, por problemas pessoais e foi Vânia, me dando aulas
de humanismo, na prática, quem impediu que eu parasse. Sua força e incentivo
estiveram presentes desde o início e serei grata a ela para o resto de nossas
vidas, por tudo o que vem me ensinando, que nada mais é do que viver!
A
vantagem de se ter amizade com um verdadeiro escritor, é que ele sempre é
verdadeiro em suas palavras, pois o papel é sua eterna testemunha.
E
Vânia é dessas escritoras verdadeiras.
Uma
verdadeira escritora.
Por
isso nossa parceria. Estávamos nos procurando há muito tempo, sem saber, e graças
à tecnologia criada por seres humanos, nos encontramos. E agradeço à inteligência
que criou tudo isso, sabendo dos problemas que tudo geraria, só para saber se
seríamos capazes de resolver. Cabe a nós aceitar essa luta ou não. Nós duas
aceitamos.
E
garanto que isso é fichinha perto da complexidade do cosmos...
Ana
Luísa Peluso
02.04.001