Prefácio
“Roda Mundo 2007"

Vânia Moreira Diniz

 

A antologia “Roda Mundo, Roda Gigante” nasceu em 2004  baseada na figura do nosso Chico Buarque que completou 40 anos de carreira em 2005,  conquistou proporções extraordinárias e infinitamente sedutoras. Daí  a homenagem ao ídolo que soube tão bem defender as letras, a arte e caminhar envolvido pelo senso de justiça, solidariedade e amor revelados em suas canções. Com suas ricas e profundas metáforas num período totalitário em que a ditadura dominava o poeta precisava lançar seu grito de alerta sem ser cerceado pela  censura.

O movimento consecutivo de Chico Buarque em “Roda viva”, sua famosa canção que marcou o tempo ininterruptamente com audácia e talento como é a característica da obra do famoso compositor, é enaltecida  nessa coletânea que encantou não só os brasileiros, mas literatos, intelectuais e pessoas de todo o mundo.

"Mas eis que chega a roda-viva

E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante

Roda-moinho, roda pião”

( Chico Buarque)
 

Essa canção radical, brilhante, reflexo da ansiedade de uma geração sofrida e da emoção de milhões de brasileiros representada ali no sentimento e na composição de Chico Buarque. A letra faz parte da peça encenada com o mesmo nome no teatro Oficina sob a direção de José Celso Martinez Corrêa mexeu com o coração e a cabeça de milhões de brasileiros.

A coragem, competência e o espírito guerreiro daquele jovem que manifestava  sua arte numa época de sofrimento nacional foi o grande precursor de tudo que veio após a revelação de sua capacidade e a luta por um mundo melhor. E que melhor arma do que a literatura que fala, ouve e transmite e é enfatizada por um mestre como o ídolo Chico Buarque?

 

Em 2004  o organizador Douglas Lara e o editor Mylton Ottoni refletiram o dom desse artista “fenômeno” ao homenagear a mais famosa canção e o poeta Maior, símbolo de um século, com o título para uma antologia idealizada por eles e reunindo  poetas e escritores, representantes da literatura contemporânea num fascículo cujo espelho seria o moto contínuo gerado pela inspiração de pessoas cuja arte ansiava por ser cada vez mais divulgada. Era o Roda Viva de inspirações a transpor o Roda Mundo, Roda gigante.

 

Incrível como num universo conturbado por guerras, violência, desesperança com a natureza ferida pela mão do homem surgiu a antologia em todo o brilhantismo que se poderia supor. Ali era a pedra lapidada, com paciência, o dia-a-dia das vivências e da arte, o amor e a verve de cada autor, desde o Brasil, passando por países da América do sul e chegando até a Europa. A verdadeira fusão dos povos  cumprindo o mesmo ideal e mergulhado no lirismo ou na objetividade.

 

A antologia “Roda Mundo, Roda Gigante” ganhou o universo na alegria dos editores  o entusiasmo e a exuberância dos escritores, abrilhantada pelo carinho e reconhecimento dos leitores de todo o mundo.

 

Lançada na Semana do Escritor em Sorocaba (São Paulo) não podia mais parar assim como está escrito na canção fascinante, linda, porém bem contundente do jovem compositor que se iniciou  na década de 60.

 

A antologia “Roda Mundo, Roda Gigante” prosseguiu a despeito de todos os movimentos e por isso mesmo  no ritmo de uma humanidade que sofria e precisava falar, ir contra a maré e ao mesmo tempo procurar o ritmo de suas composições escritas e traduzidas na prosa e no verso.

 

E assim aconteceu também em  2005, 2006 e surgirá mais efervescente do que nunca nesse ano de 2007 com todos os problemas de uma época sofrida e polêmica, e por isso mesmo solidificada em “Roda Viva” e concretizada   eloqüente em “Roda Mundo , Roda Gigante” . Aí estão 36  escritores com a presença enriquecedora dos cinco continentes unidos, integrados pela semelhança do próprio ser humano e diferentes pelas origens, mas por isso mesmo mais sedutores em suas diversidades apaixonantes. A literatura lusófona e espanhola estão estreitamente associadas.

 

Escritores há que já percorreram  todos os anos da coletânea, numa demonstração de persistência e amor. E agora aqui estão, nesse ano marcante de 2007 vibrantes, rodando o mundo, contando suas histórias, vibrantes em seus poemas, acreditando na busca incessante e crendo que a palavra mais uma vez irá de encontro aos paredões da frieza e chegará ao sentimento universal e extremamente enraizado do verdadeiro amor.

 

Na escrita de cada representante da literatura que compõe esta antologia, está marcada como uma tatuagem o seu estilo, a qualidade dos escritos, a arte no cenário universal e honrando a espécie humana pelo dom que cada um carrega em sua alma e na cultura que propaga.

 

Cada autor da antologia com  suas biografias, e a história no reflexo de suas produções contribuirão integralmente para que a Semana do Escritor de 2007 brilhe incessantemente. São poetas, articulistas, contistas, cronistas cuja mensagem e talento oferecem ao leitor o testemunho de sua experiência como escritor engajado em propósitos de profunda dedicação às letras.  

 

A todos os autores que estão aqui na Coletânea “Roda Mundo, roda Gigante” de 2007, minha admiração profunda pelo talento que se expande ininterruptamente. Desejo também cumprimentar os editores Douglas Lara e Mylton Ottoni pela garra, trabalho magnífico de congregar a cultura e a arte em quatro antologias vencedoras que continuam na Roda Viva do mundo.

 

Enfatizo a figura importantíssima da maravilhosa poeta e artista plástica que tão bem conheço Mary Maia, que idealizou e concretizou a capa com sentimento  e talentoso  carinho baseada sempre na paz e nas músicas de Chico Buarque para que possamos “sentir” o conteúdo das páginas preenchidas  ao olhar pela primeira vez a nossa antologia pela quarta vez editada. 

 

E aos leitores meu carinho e respeito pela difusão da  leitura que trará às futuras gerações o conhecimento no aprendizado de cada livro, na capacidade dos escritores e na cooperação efetiva desses editores. Eles se propõem a continuar um trabalho que contribuirá para resgatar uma humanidade mais igualitária na “roda vida” de sentimentos e testemunhos fecundos e preciosos.

 

Vânia Moreira Diniz