450 em 777 é demais

 Velha mania de guardar pedaços de jornal ou revista que me impressionam servem ou servirão para crônicas, achei, outro dia, um comentário do ótimo colega Joelmir Betting, escrito em 15 de março de 2005. Dizia:

".... Até aqui, em 25 meses de governo, o presidente Lula já cometeu 62 viagens ao mundo. Ou mais de duas por mês, tal como semana sim, semana não. Sem contar, ora, pois, as até aqui 177 viagens  pelo Brasil. Hoje, dia 15, ele completa 115 dias fora do país desde a posse. E pelo Brasil, no mesmo período, 335 dias fora de Brasília.

Total da itinerância presidencial, caso único no mundo e na História: exatos 450 dias fora do Palácio, em exatos 777 dias de presidência. Governar ou despachar, nem pensar.

A ordem é circular. A qualquer pretexto. E sendo aqui deselegante, digo que o presidente não é (nem nunca foi) chegado ao batente, ao despacho, ao expediente.”

         Já me havia impressionado, mesmo sem fazer contas, com a quantidade de horas do Presidente fora do comando real do País. E como acho que ele como pessoa, é a melhor figura de seu governo, dizia, de mim para mim, afastado da política que estou (mas atento):

Isso não vai dar certo. Lula fica demasiado tempo fora do governo, viaja todos os dias para inaugurar ou visitar, atividade que um Ministro poderia fazer, faz discursos como se estivesse na oposição e larga as decisões internas do governo nas mãos dos outros. Estes só lhes reservam os pepinos, já que ele é o ponto possível de equilíbrio de um partido dividido e em grave crise de identidades como o PT.

         Lendo as estatísticas de março do Joelmir Betting, tudo me ficou mais claro: Um Presidente que em 777 dias de presidência fica 450 dias fora do controle do País, não está a governar. Está a se esforçar, é certo, pois muitas viagens são úteis (não a maioria) porém não detém as rédeas do Governo. Não vai dar certo, repeti para mim mesmo.

         Pois estejam certos os meus leitores e leitoras deste domingo que ainda que não pareça, toda esta atual crise abrumadora, tem muito mais a ver com quem fica a governar no lugar dele do que com ele. Mas ele é o responsável e a bomba estoura em suas mãos. Não tem sido pouca coisa. E tudo muito grave.

Se eu fosse o Presidente e se por acaso ele me lesse, refletiria sobre a necessidade de mudar seu modo de governar tomaria o leme em minhas mãos e faria alianças apenas com gente séria mesmo que seja a que o partido dele ( e ele, inclusive) mais teme e mais ofende.

         12-06-2005

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