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O mundo inteiro está a comemorar neste 2006 os 250 anos do nascimento de Mozart. Com Beethoven e Chopin, Mozart é o músico mais popular de todos os tempos, no Ocidente. Filmes, livros, concertos, documentários, estudos acadêmicos, o menino travesso de Salzburg que com quatro anos corrigiu a afinação do violino de seu professor e com doze escreveu a primeira ópera, e deixou cerca de setecentas composições de todos os tipos, é um fenômeno que só o espiritismo explica. Tudo isso em menos de 36 anos de vida. Ouvir Mozart junta inexcedível prazer, com reflexões maduras, com musicalidade impressionante e variedade sem fim. Há outro músico que viveu menos do que Mozart (trinta e um anos apenas) e deixou obra igualmente genial e ainda mais vasta Schubert. Outro gênio. Cerca de novecentas obras. Mas por mistérios da popularidade e do carisma, Schubert, um lírico de demolir até o coração da mulher de Belo Horizonte que jogou a filha recém nascida no Rio, Schubert, eu dizia, não reproduz a popularidade de Mozart, pelo menos até hoje. Mas merece, garanto. Não só dos 250 anos do nascimento de Mozart vive este abençoado ano de 2006. O ano traz os 150 anos da morte de Schumann, Robert Schumann, outro gênio que morreu perturbado e delirante, louco como se diz. Cercado apenas de sua mulher a grande pianista Clara Schumann e dos amigos o compositor Brahms e o violinista Joachim. Schumann é a meu ver o grande fundador e teorizador (escrevia muito bem) do romantismo como revolucionário movimento musical e que tomou conta do século 19. Sua vida sempre foi luta: por decidir-se a ser músico em vez de advogado: de se casar com Clara contra férrea oposição do pai desta, tendo que ir aos tribunais para o conseguir e contra a crescente perturbação mental que aos poucos o engolfou até a morte em 1856 com 46 anos. Um gênio trágico. E ainda temos dois centenários de nascimento a comemorar: o do nosso grande e notável Radamés Gnatalli, pianista, compositor popular e erudito, arranjador, maestro, homem a quem o passar de cada dia mais faz ser conhecido, estudado e amado. E é também o centenário de Shostakovich, o deslumbrante e sofrido músico russo, que viveu a vida inteira na Rússia e em seu melhor período criativo debaixo de muita pobreza, duas grandes guerras mundiais e do tacão de Stalin, A vida de Dmitri Shostakovich é uma história de dor e grandeza e caso houvesse espaço eu contaria, porque é impressionante. Bom pretexto para meus leitores escutarem os quatro. Há material para o ano inteiro. E muito mais 02-02-2006 |