A Arte De Viver (2)

Raro é saber adequar a vida à evolução. Talvez, seja até mais difícil do que evoluir. O trabalho interior para evoluir, crescer e amadurecer já é sofrido e lento ! Ajustar, depois, a evolução à vida, poucos conseguem; só os fortes. Ou os sábios. E mesmo a evolução está carregada de recuos, como veremos. Para a maioria são preferíveis as verdades “sólidas” e “inamomíveis”, que empreender o salto no poço sem fundo da evolução. Isso vimos no artigo de ontem. Hoje prossigo:

Há ainda, uma terceira ordem de reação: pessoas que sentem a necessidade da evolução, e antes de a empreenderem internamente, mudam na realidade externa. Passam a mudança para a vida antes de haver condições interiores para suportar e administrar o progresso. Há como que a percepção da necessidade da mudança, expressa na angústia ou tédio que sentiam. Ao simples sinal da  necessidade da mudança, tais pessoas incorporam-na à vida, rompem o estabelecido, assumem atitudes, atos, gestos, decisões, antes de processarem internamente os inevitavelmente lentos e graduais passos da evolução transformadora.

Fica, portanto, a certeza de que ser e existir, mais do que viver, impõe a solução de um problema ingente: o da  necessidade de transformar a vida em expressão do próprio ser.

Vivemos tempos nos quais as pessoas são levadas a ter e a viver vidas divorciadas do que são. O tipo de educação e de modelagem atual leva a ser o que querem os sistemas, as idéias dominantes, as necessidades da ordem econômica, as determinações das ideologias, sempre supra, “other”, difíceis de alcançar.

Trocar o “quiserem” ou o “querem” por “quero” (disposto a pagar o duro preço das independências), é estar evoluindo na direção da identidade verdadeira, além da que consta na carteira...

O “quero”, portanto, é decisão interior, passo fundamental para a saúde do ser. A própria capacidade de descobrir o querer é a primeira pessoa, o eu, faz parte da preliminar da saúde. Ainda quando, pelo budismo, pretenda-se eliminar o ego, é necessário descobrir o eu sou.

Tais considerações individuais, dependem, por outro lado, do destino. Mas isso é assunto para outro dia.

 06-10-2004

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