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Raro
é saber adequar a vida à evolução. Talvez, seja até mais difícil do
que evoluir. O trabalho interior para evoluir, crescer e amadurecer já é
sofrido e lento ! Ajustar, depois, a evolução à vida, poucos conseguem;
só os fortes. Ou os sábios. E mesmo a evolução está carregada de
recuos, como veremos. Para a maioria são preferíveis as verdades “sólidas”
e “inamomíveis”, que empreender o salto no poço sem fundo da evolução.
Isso vimos no artigo de ontem. Hoje prossigo: Há
ainda, uma terceira ordem de reação: pessoas que sentem a necessidade da
evolução, e antes de a empreenderem internamente, mudam na realidade
externa. Passam a mudança para a vida antes de haver condições
interiores para suportar e administrar o progresso. Há como que a percepção
da necessidade da mudança, expressa na angústia ou tédio que sentiam.
Ao simples sinal da necessidade da mudança, tais pessoas incorporam-na à vida,
rompem o estabelecido, assumem atitudes, atos, gestos, decisões, antes de
processarem internamente os inevitavelmente lentos e graduais passos da
evolução transformadora. Fica,
portanto, a certeza de que ser e existir, mais do que viver, impõe a solução
de um problema ingente: o da necessidade
de transformar a vida em expressão do próprio ser. Vivemos
tempos nos quais as pessoas são levadas a ter e a viver vidas divorciadas
do que são. O tipo de educação e de modelagem atual leva a ser o que
querem os sistemas, as idéias dominantes, as necessidades da ordem econômica,
as determinações das ideologias, sempre supra, “other”, difíceis
de alcançar. Trocar o “quiserem” ou o “querem” por “quero” (disposto a pagar o duro preço das independências), é estar evoluindo na direção da identidade verdadeira, além da que consta na carteira... O
“quero”, portanto, é decisão interior, passo fundamental para a saúde
do ser. A própria capacidade de descobrir o querer é a primeira pessoa,
o eu, faz parte da preliminar da saúde. Ainda quando, pelo budismo,
pretenda-se eliminar o ego, é necessário descobrir o eu sou. Tais
considerações individuais, dependem, por outro lado, do destino. Mas
isso é assunto para outro dia. 06-10-2004 |