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A
melhor definição de Graça no sentido religioso de um dom de Deus, específico,
deu-a, há uns 60 anos o padre português José Lourenço: “ Graça
é um dom sobrenatural que Deus nos concede gratuitamente
e pelos merecimentos de Jesus Cristo, para podermos santificar a
nossa vida e obter a nossa salvação eterna. A Graça é um bem maior que
todos os bens do Universo” (...)
Vou falar de amor, não vou falar de religião, mas vou falar da
expressão “gratuitamente”,
usada pelo padre José Lourenço. Pena que o caráter mercantil do
século vinte transformou o conceito de dom gratuito e as palavras, tanto
Graça e Gratuito em termos econômicos. Graça chegou a ser até sinônimo
de coisa para rir.
O grande sentido do amor (a Deus, a alguém, ao país) é ser
gratuito. Diria mais: só é amor quando é gratuito. Por gratuito
entenda-se algo que se estabelece com total verdade, desinteresse e
autenticidade, independente até da vontade.
Por isso, o amor nos traz possibilidades sempre novas, um vigor
peculiar antes inexistente em nós. Diferente da Paixão que é tudo isso
em estado de exaltação febril, por isso passageiro. A gratuidade do amor
é a sua conexão com o mistério de cada existência humana e dos desígnios
impossíveis de serem alcançados por nossa inteligência. Existe porque
existe. Independe de causa. É só efeito.
Segundo os teólogos a Graça é comunicada diretamente por Deus
através de meios nem sempre perceptíveis mas bem definidos: quando nos
inspira a um bom pensamento, alguma obra, ainda que humilde,
para o bem. O conceito vai tão longe, no plano religioso, que o apóstolo
São Paulo chegava a dizer: “ A Graça de Deus é a vida eterna em Nosso
Senhor Jesus Cristo”.
A gratuidade do amor é a
presença da Graça entre dois seres humanos. Por isso sempre digo: quando
é amor a gente sabe. Ficou em dúvida, vacilou, pode ser tudo de bom porém
amor não é. O amor é a despeito, é além, é sobre, é apesar. Existe
e se manifesta com uma inviolável certeza. A forma talvez mais evidente
do amor é o maternal ou o paternal. Não há explicações para o ser
humano amar os filhos. Ele apenas ama, gratuitamente. É a presença de um
dom especial dotado pelo Mistério através do qual Deus manifesta um
desejo de bem, de construção de uma nova vida. Sim,
o amor é gratuito e nisso consiste a sua maravilha e a sua superioridade.
E como dizia o sábio padre português José Lourenço: “A Graça já é
um princípio da vida celeste em nós; é Deus vindo até nós com o seu
auxílio para nos elevarmos até Ele” Voltar |