A Morte Do Bussunda

Acordo-me e logo ouço a notícia da morte do Bussunda. Funda comoção. Primeiro me lembro de que um filho meu era amigo, colega de colégio dele. Depois penso em seu irmão de quem sou amigo e fã, o Sérgio Bessermann, ex-Presidente do IBGE é um dos pensadores mais sérios e respeitáveis deste Brasil.

          Escrevo às 14 horas do sábado. Com muita emoção. As primeiras notícias dão 43 e 44 anos. Amanhã os jornais e TVs por certo darão pormenores precisos do fato. Respeito os desígnios do mistério, mas para nós que não os alcançamos, é muito cedo para morrer. O futebol que ele adorava  agora é festa na Alemanha e no mundo e ele lá, a fazer o humor que o Brasil consagrou. Logo depois me lembro da paródia de Belíssima, onde ele deitado em pose lânguida com aqueles pernões gorduchos e meio tortos à mostra, parodiava a abertura da novela Belíssima, com o título “Baleíssima” e o quanto eu ria a cada vez....

         Começa pelo apelido: Bussunda. Em seu mistério quanta coisa essa palavra contém: irreverência, rima, ironia, gozação, imediatez, escracho.  Aquela cara redonda e uma incrível qualidade de artista que o levava a várias imitações ou criação de subtipos psicológicos. A fala de malandro carioca, o olhar chispeante de mordacidade e ironia, uma chispa a sempre apontar os delírios e ridículos brasileiros. Seu humor não era caricato. Era ácido. Nem terno ou digno de dó, como tantos humoristas: era presidido por uma clara disposição lógico-racional. Uma implacável lucidez

         Continua pelo tipo físico que de certa forma ele mantinha largadão porque se ajustava melhor às caricaturas vivas nas quais era mestre, por mais que ultimamente andasse a se tratar, fazer exames, exercícios e lutar por emagrecer.

Crítica social por dentro, esculacho por fora. Uma carreira linda, honestamente construída, uma filha adolescente, aquela trupe do Casseta e Planeta, unida como que forjada, além de amizade, por incoercível unidade interna. Dói duas vezes ver comediante chorar. Por isso, doeu ainda mais ver seus amigos no pranto.

Bênçãos pela alegria que sua vida trouxe para o Brasil e seus problemas desvendados sem contemplação pela arte que o consagrou. Como disse um de seus companheiros: nós somos o Casseta e Planeta, mas ele era o Bussunda.

E como era!

 17-06-2006

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