A Mulher É Amar

Este é o título do meu mais recente livro, editado pela Five Star neste final de dezembro, ao preço de 26 reais. São inúmeras crônicas, nas quais persigo maior compreensão desse fenômeno fascinante que é a relação entre a mulher e o amor. Não se trata de tema novo, eu sei. Até porque é eterno. Talvez a abordagem o seja, por isso desejo convidar a quem acompanha meus escritos a ler o livro, no qual reconhecerá várias passagens e pensamentos já expostos nesta coluna ao longo de dezoito anos de trabalho. E, em outros escritos desde 1959, quando comecei a labutar no gênero crônica.

Não discordo das conquistas da mulher nos últimos 50 anos. Falta uma, que deveria ser reconhecida, não por elas que a reivindicam, mas pela legislação brasileira, esmagada pelo capitalismo selvagem que a engolfa: o ter de afastar-se muito cedo do filho recém nascido. Há inúmeras legislações de países, principalmente os nórdicos, no qual a mulher que pariu, tem o direito de ficar com o filho muito mais tempo, pois está provada a importância psicológica dessa proteção na fase pré-consciente. A sociedade industrial, em seu lado perverso, não quer saber disso, e retira o filho muito cedo do seio e do calor maternos...

Meu livro, porém, não é do tipo reivindicação. Longe disso. São crônicas sobre o fenômeno do amor e do amar e da prioridade sexual e espiritual que a mulher dá ao amor. As mulheres vieram ao mundo basicamente para amar e assim fazerem o amálgama necessário à manutenção da tal espécie humana, fraca de corpo e reservas ante outros seres da natureza. Daí que, nelas, o fenômeno do amor possui uma potência superior. É um livro delicado, no qual fiz várias revisões, sempre atrás de uma linguagem precisa e clara, sem abrir mão do sentimento poético pela beleza do tema. Beleza e desafio. Não sou dos que acham a mulher um mistério. Acho-as, sim, um fascínio, porque concebem e enfrentam de maneira bem mais diversificada o mistério do amor, o seu enigma. E isso as faz transparentes e deslumbrantes.

Há muitos e muitos anos, talvez desde a infância, tenho passado grande parte de meu tempo a observar as mulheres e os recursos e delicadezas do eterno feminino: suas diferenças, a capacidade de escolha, os ademanes, a força, a potência sexual, o sentimento místico, a disposição para viver e crescer interiormente, suas reações psicológicas e os vários tipos de inteligência. Repito que para mim, a mulher não é um mistério, como se costuma dizer, mas, sim, um fascínio permanente:  e o declaro, independente de meus episódios e experiências pessoais, que, aliás, jamais contrariaram este meu parecer. Talvez por haver perdido o pai muito cedo e ser criado por uma figura materna de grande valor, aprendi a observar, conhecer e admirar profundamente o princípio feminino. Estudando Jung anos depois, ampliei minha experiência de percepção. Fiquei na observação, até o dia em que descobri como são lindos e incomensuráveis seus dotes de amar, nos mais variados sentidos que atingem, do carnal ao amoroso puro e ao místico. E tudo isso proclamo em meu livro, de maneira simples, como cabe a um cronista que conhece o seu lugar e tem a prática de mais de quarenta anos na especialidade.

 05-01-2006

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