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Vou simular um debate político, dos tantos já freqüentados por este velho caminhante do deserto. Eu simulo as falas e você pensa, analisa, considera. Combinado? Ah, sim. Uma boa referência é a espantosa sobrevivência destas tantas palavras e expressões apesar do seu envelhecimento (delas) e do efetivo esvaziamento conceitual e tático. - O companheiro precisa ter mais transparência na sua fala. - Transparência eu tenho. Mas o que eu quero mesmo é colocar a questão do resgate da cidadania. - Desculpe, mas o companheiro está extrapolando o tema da reunião. - Que extrapolando - intervém um terceiro - ele defende a construção de um amplo arco de alianças na sociedade para enfrentar o neoliberalismo. - Concordo em construir uma aliança, mas o arco da sociedade não deve ser amplo demais. - Então defina a amplitude dele! - É necessário alavancar a reação da sociedade organizada (diz outro). - Sim, mas para isso é preciso elencar, primeiro, a nível de especulação, os componentes desse arco. - Discordo. É preciso pôr o Partido em rota de colisão até detonar o processo de alienação capitalista. - Sim, mas isso não se faz sem contabilizar nossas forças. - Nada disso. Temos que considerar primeiro o leque de alternativas. - Claro - intervém um outro companheiro - De repente a gente fica no papai-mamãe e a burguesia fatura outra. - Por isso é que eu digo: tem que penalizar essa canalha. Sem sinalizar em grande estilo, o desmonte da máquina do Estado e - repito - o resgate da cidadania, o leque de alternativas vai ser extrapolado de novo, a gente não vai se assumir e de repente vai ficar falando sozinho. 20-02-2008 |