Agora É Síndrome De Pânico

Empatia é muito bom para quem escreve ou faz poesia, pintura, psicologia, arte em geral, etc., pois revela as dimensões do outro. Mas, para quem sofre empatia na carne (e nos nervos), é de lascar.

 

O empático sofre muito. Sou doutor no assunto. Contado depois, até que é divertido. Duas pessoas brigam, quem fica tenso é o empático que assiste. O médico coloca aquela gronga de tirar a pressão no seu braço. No que ele aperta a braçadeira do tensiômetro, antes mesmo de medir a pressão, a taquicardia já está comendo solta, e a pressão foi lá em cima, só de susto!

 

E quando o sistema neurovegetativo está desandando? Nesses dias, o empático deve é ficar em casa, porque só vai sofrer. Se encontra alguém que lhe diz: "Puxa, você está pálido", só isso já o demole! Se vê um atropelamento, então, é voltar para casa e guardar o leito. Está derreado. E ninguém em casa entenderá aquele cansaço.

 

Certa vez, num desses dias em que se sente vertigem até da própria altura, eu esperava o frescão na fila (era o segundo) e mal me agüentava em pé, pois sabia que o desenlace seria eminente. Mas, por fora, estava firme (o empático é um enrustido). Aí um bêbado parou ao lado de um táxi que estacionara perto e se abaixou para pegar não sei o que no chão. Quando se abaixou, eu percebi (e empatizei) que o que já rodava na cuca dele, com a cabeça baixa, passara a rodar muito mais. E nada do cara conseguir se levantar. Nem caía, nem levantava. Já eu tive que (discretamente) me segurar no poste.  Juro que senti toda a tontura que era dele. Eu empatizara a tonteira.

 

Coisa de doido! Daí que é parada grande demais para os que são assim: 1) ouvir histórias de doenças; 2) conhecer os sintomas de cada uma delas; 3) ver alguém passando mal; 4) assistir a uma pessoa "tendo um ataque"; 5) ouvir a descrição de "como foi que ele morreu", muito comum nos enterros, onde sempre há pessoas não-empáticas que adoram saber (e contar) detalhe por detalhe do ocorrido; 6) ir dormir sem verificar se fechou o gás; 7) imaginar uma enfermidade súbita em local onde não há proteção; 8) ter que fazer exames de qualquer natureza; 9) sentir um cheirinho de queimado no vigésimo segundo andar desses edifícios grandões.

 

Estes empáticos são capazes de heroísmos, atos de coragem e valor em outros terrenos, mas, nessas pequenas bobagens que constituem o seu dia-a-dia, pagam um preço que só eles sabem o que custa.

         12-02-2008

Voltar