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Não tema o romantismo. Derrube as cercas
da opinião alheia. Faça tiaras de margaridas e enfeite a cabeça de quem
você ama. Saia cantando. E olhe alegre para a vida. Recomendam-se
encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar e
olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se
possível com beijos, "aquela conversa importante que precisamos ter";
arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. E
nada de “precisamos discutir nossa relação”. Para quem ama feio, toda
atenção é sempre pouca. E para quem ama bonito, qualquer atenção
glorifica. Não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos
aqui e agora. Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como
por exemplo, a sinceridade ou não dar certo ou depois vir a sofrer ou
abrir o coração ou contar a verdade do tamanho do amor que sente. Jogue
para o alto estratagemas, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não
é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência,
exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você, cantando
desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre.
Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal
infantil. Revivendo os carinhos que intuiu em criança. Sem medo de
dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. 17-03-2008 |