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Amar Bonito
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Tenho visto muito
amor por aí. Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos,
sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas que esbarram na
dificuldade de se tornarem bonitos.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho,
cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos
jardineiras. Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais
de repente se percebem ameaçados apenas e tão somente porque não sabem
ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de
compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que
atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo
no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de
reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o
que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não
possa ter razão. Nem queira.
Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com
justiça, mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está fazendo o seu
amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar,
da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior
beleza possível? Talvez, não. Cheio ou cheia de razões, você espera do
amor apenas o que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez
dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que ele
pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre, e, sofrendo, deixa de
amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre igual criança. E sem soltar a
criança, nenhum amor é bonito...
Amanhã,
concluo.
08-03-2005
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