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Alcançar o amor talvez exija mais renúncia do que alegria pura. Nem sei se a felicidade pessoal é plenamente compatível com o amor. Mas acho que sim, no caso de amores verdadeiros. Eles existem E crescem enquanto parecem diminuir...Por que ligar felicidade somente ao amor? Viver é feliz embora haja tanta infelicidade “pela” aí.
Assim como é necessária alguma crueldade para viver, assim como há
sempre alguma agressão embrulhada em qualquer vitória, também a
felicidade precisa de alguma inconsequência. O amor por si, quando
profundo, é repleto de "trágicos deveres". Por isso, o amor não está
ligado exclusivamente a alegrias ou prazeres. Há outros valores em sua
caixa de surpresas. Aqui residem, pois, as complicações do amor. Só se torna visível quando ameaçado de acabar. Só é verdadeiramente dimensionado quando se supõe nada mais sentir. Está onde menos se espera. É profundo, vital, doador, independente de exaltações. Flui imperceptível, aparece ao sumir. Por isso,pessoas que se separam, mesmo livres uma da outra, sentem o vazio, da perda, um sentimento de possibilidade perdida. É preciso muito viver, muito desiludir-se, muito sentir, muito experimentar, muito perder, muito renunciar, para encontrar o próprio amor, guardado não se sabe em que dobra da gente, e muitas vezes nunca descoberto. Morrer sem descobrir o próprio amor infelizmente é freqüente na espécie humana. E terrível! O que estamos fazendo com o amor que está em nós e diariamente trocamos por outras e supérfluas emoções prazenteiras, por felicidade inconseqüente, por alegrias passageiras, por entretenimento em vez de conhecimento? Sim, o que estamos a fazer? O quê? É melhor rapidamente você descobrir e transformar a própria vida (e a dos demais) em um ato de amor. Só assim será feliz: porque amor e felicidade só se unem na prática do bem, do perdão e da compreensão. O mais é passageiro, e fugaz, mesmo quando bota a máscara da paixão 02-03-2007 |