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As Crianças E A Simplicidade
Monteiro Lobato, um
gênio sem teorias, dizia que um pedaço de pau era mais importante para
uma criança que um brinquedo, pois, com este, poderia fazer e ser o que
bem entendesse: automóvel, vara de condão, avião, cavalo, garrucha,
carruagem, qualquer coisa.
Certa vez, exilado no Chile, eu estava numa pindaíba dos diabos. Era
Natal e queria dar presentes a meus filhos. Fui a uma loja, tipo Saara
cá no Rio, dessas bem barateiras, e comprei uns carrões grandes de
madeira, mal feitos mas enormes e pintados; um patinete vagabundo,
daqueles que o garoto pode deixar na chuva e largar de qualquer jeito;
um joguinho de varetas; e um carro de bombeiros grandalhão, desengonçado
e tosco, muito colorido, com a vantagem de que os bonecos pintados de
vermelho podiam ser colocados e tirados de seus banquinhos laterais.
Nunca meus filhos ficaram tão felizes! Sua relação com os brinquedos
podia ser de liberdade total, uso sem medos, recomendações ou cuidados.
Apreciaram-nos muito mais que brinquedos superincrementados,
eletrônicos, desses que a gente lamenta não terem existido em nossos
tempos de garoto e presenteia com tal medo de serem logo destruídos, que
a criança percebe e perde a alegria: fica ansiosa.
Esse intróito na volta às aulas é para falar que professoras,
principalmente as de escolas de parcos recursos, sabem como é possível
interessar crianças através de jogos e criações que estimulam a
participação delas e de sua fantasia. Criança não pede estruturas
formais. Pede conteúdos afins com as necessidades de seu desenvolvimento
psicomotor. Pede variedade. Pede fábula. Pede histórias contadas.
Por que não enveredar pela iniciação musical, tão sedutora para quem
está em casa e vive numa sociedade envolta em música? Por que não ousar
o conto de fadas ou as lendas da mitologia?
Criança não brinca só com o bonito. Brinca com o que gosta e com o que
lhe permite criar. E nada é mais criativo que a imaginação infantil.
04-02-2008 Voltar
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