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Quando me formei advogado
(1959), minha mãe fez uma homenagem linda, da qual não esqueço embora
jamais a tenha usado. Claro que está guardada com emoção e carinho. À
época era moda o anel de doutor. Dona Magdalena, simbólica, inteligente,
viúva, feliz por formar o filho querido e que ficou único, fundiu as
alianças dela com a de meu falecido pai para compor o ouro que não
poderia pagar de outro modo e presentear-me com o anel com o rubi do
advogado. Comovente! Mas
ela sempre compreendeu porque eu não usava nenhuma forma de jóia. Eram
os meus anos de um socialismo, que não desapareceu de minha verdade ideológica
interior embora a ele ( socialismo), do exílio (1964) até hoje, eu tenha
aprendido a acrescer (cada vez mais) o conceito e a palavra democrático.
Sempre achei que jóia
e relógio caros humilham quem mal tem para sobreviver.
Por favor.
Preciso que me expliquem, antes que enlouqueça. Sou um senhor noveleiro
confesso. Em “Começar de Novo, obra atraente pelos atores ótimos e os
tipos que Antonio Calmon sabe criar, algo me funde a cuca: O desmemoriado
é o Andrei que foi Miguel Arcanjo. Tudo bem. Ele aos poucos está a se
lembrar do passado. Só que os demais não se lembram dele. Ninguém muda
de rosto assim, a ponto de até a mocinha, a Letícia (o casal de atores
está ótimo, ela e o Marcos Paulo), reconhecer o beijo mas não se dar
conta de que ele é o Miguel. Ou perdi algum capítulo ou ainda aparecerá
uma operação plástica nele, que explique a amnésia geral dos
“normais” e a boa memória do desmemoriado. Por favor me ajudem! Será
que perdi a memória ou todo
mundo é lelé naquela
cidade?? Observo
nas rádios cariocas, acentuada melhora quanto à presença da música
popular brasileira. A 90.3, O DIA comanda o processo com uma programação
atualizada, variada e de bom gosto. Com justiça lidera o FM. E tem um som
notável. Eu me atualizo por ela. Belíssimo trabalho! A MEC-AM melhorou o
som (agora dá para ouvir o AM) e deu saudável guaribada na programação.
A Rádio Nacional recebeu ventos benfazejos, graças à cultura do
Presidente da Radiobrás, o Bucci e da turma daqui. A não ser tirarem
o Cataldi (o que jamais entendi), a programação de música
brasileira está magnífica com Henrique Cases e o chorinho, com a seleção
das músicas, o forró das madrugadas mantido, Osmar Frazão renovando
seus programas, e muito mais gente como o Gerdal e o Cirillo. Isso além
de um magnífico e útil programa infantil “Zezuca e a Rádio Maluca”.
E sem falar nos deliciosos programas diários de Geraldo do Norte, das
quatro ás seis da manhã, com a música deslumbrante dos quatro cantos do
Brasil. Exatamente às seis eu salto da Nacional
para a MEC AM e ouço este herói do rádio chamado Adelzon Alves a
fazer a mesma coisa, com a categoria de sempre. 30-10-2004 |