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Meu prezado Editor: peço-lhe licença para sair da linha que me traçou para estas modestas crônicas - escrever sobre a atualidade, sobre idéias e sobre sentimentos. Hoje vou fazer um desabafo. Espero que compreenda e aceite. Um desabafo de tricolor. Eu sei que este jornal tem um dos melhores cadernos de esporte do jornalismo brasileiro. E que seria lá o local adequado. Mas eu escrevo aqui, fazer o quê? Meu coração tricolor está ferido pela política interna de meu clube, do qual sou sócio desde 1954, fui atleta, tricampeão juvenil de voleibol ( quem diria?...). Não entra na cabeça dos dirigentes de futebol, a maioria pelo menos, que trocar de técnico por causa de três ou quatro derrotas é um ato de ignorância total, mais do que provada ao longo dos anos. O Fluminense está para cair de novo. Vai para a segunda divisão. E a tragédia começou, quando despediram grosseiramente o Oswaldo de Oliveira, sem dúvida alguma um ótimo treinador, homem de caráter e inteligente. Idem o Antonio Lopes. E, com eles, um total de seis técnicos em poucos meses. Espantoso! Quando fomos para a Terceira Divisão, salvos após por um acordo meio maroto, tudo proveio da mesma prática lastimável. Curioso. Os dirigentes Corintianos fizeram o mesmo com os referidos Oswaldo de Oliveira e Antonio Lopes, e a equipe já está na zona de rebaixamento, ainda por cima com uma crise vertiginosa, um técnico insuportável, o Leão (tão antipático quanto a Martha Suplicy) e com as brigas do grupo do Carlos Alberto contra o grupo do Roger... Agora o Flu vai vender o Marcelo para fazer caixa. Será que não percebem que o Tuta está pesado demais? E joga a mascar um insuportável chiclete, engolindo ar, destarte? Não descobrem que o Pet já está na hora de se transformar em técnico? E que não temos zagueiros? E que é um erro palmar não ter um time principal fixo? Entra o Lenny, sai o Lenny. Entra o Juliano, sai. Entra o Evando, sai. Entra o Roger, sai. Parece que existem uns quinze Thiagos... Mandaram embora aquele ótimo Rodrigo Tiuí, criado nas divisões de base. E com ele faziam o mesmo: ora titular, ora reserva. Hoje ele brilha no Santos e faz os gols que o Fluminense perde aqui. Em síntese: futebol tem duas verdades. Para começar: O primeiro time é o primeiro time. Definido. A outra: camisa de um time é uma só. A segunda é a reserva. Quem vive a trocar cores, formas e desenhos do uniforme perde a identidade e vive a perder. A camisa do Fluminense é uma só: aquela tricolor em barras verticais. Sem frescuras. Chamem correndo o Rivaldo para jogar ao lado do Arouca (craque) e arranjem, pelo menos, um bom zagueiro. Aí pode ser que o time se salve e permaneça na Primeira Divisão. Nada além. Digo tudo isso em nome dos torcedores do Fluminense, humilhados e ofendidos. Viramos personagens de Dostoyewski. 18-10-2006 |