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Encontro o velho amigo Ari Macedo, uma dessas pessoas incomuns nas cidades do mundo inteiro, que misturam cultura e refinamento com simplicidade, bom humor, dessas que transformam qualquer conversa em algo estimulante. Há muitos anos luta sozinho pela coerência em certos logradouros e espaços públicos. Nesse dia, almoçávamos Marcio Braga, o Vice-Prefeito Otávio Leite, o ótimo Gilberto Braga (não é o novelista: é um xará, idealista da política, que está mais para personagem que para autor) e eu. Vejam se não é correta a tese de Ari Macedo: a Sala Cecília Meireles, que foi uma escritora, é para música. E o Teatro Villa Lobos, que foi notável músico, é um teatro, local de literatura dramatúrgica. Logo, lugar de terçar a literatura dos grandes autores. “Esses nomes deveriam ser trocados”, diz ele. Com a palavra o douto Arnaldo Niskier, Secretário de Cultura do Estado, ótima escolha, aliás. Mas vai mais longe o amor do Ari Macedo pelo Rio: instou Otávio Leites a, como Vice-Prefeito, em nome da cidade, procurar autoridades do metrô de Paris, com o seguinte e perfeito argumento: neste ano 2005, comemora-se na França uma espécie de Ano do Brasil. “Ora- diz o Ari- o metrô de Paris tem uma estação chamada Argentine. Muito bem. É justo. Porém deveriam aproveitar essas comemorações não para colocar o nome Brésil em outra estação, mas o de Santos Dumont”. “Este brasileiro – argumenta- além de ter nome de francês, foi quem primeiro voou com um aparelho mais pesado que o ar e é o pai da aviação, título que os americanos timbram em nos roubar, dando-o aos irmãos Wright". "Nada mais justo –concluí- que homenagear o Brasil, ao dar, pelo menos a uma estação do Metrô, o nome de Santos Dumont, que voou por primeira vez justamente na Cidade Luz. Afinal, foi lá que algumas pessoas maravilhadas viram uma espécie de avião elevar-se e dar a volta na Torre Eiffel." Um danado esse Ari Macedo. Está sempre a pensar no Brasil e no Rio. E no neto. 10-03-2005 |