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Há tempos circulou na Internet, de autoria desconhecida, uma deliciosa caracterização do Tijucano, bairro aliás que adoro, pois lá estudei. Recentemente, numa coleção sobre bairros que a Universidade Estácio de Sá está a publicar, saiu um primoroso livro sobre a Tijuca, onde é reproduzido esse texto de bom humor sobre o amor do tijucano por seu bairro. Segue abaixo. Ignora-se, no livro, a autoria. Eu também desconheço, mas dou os parabéns a quem o escreveu. Uma delícia. Só que foi escrito antes de o Café Palheta mudar. CLASSIFICANDO O TIJUCANO: “Grau 1: uma vez tijucano... Neste grau incluem-se todos aqueles que tiveram alguma passagem (mesmo que breve) pelo bairro, mas agora que estão libertos, guardam apenas alguns resquícios do velho bairro. Não necessitam de café do Palheta ou comprar presentes na Importadora Guanabara para sobreviver. Vivem suas vidas independentes da Tijuca em outros locais. Referem-se à praça Saens Peña como a qualquer outro local. Grau 2: o tijucano “muderno” Aqui incluem-se aqueles que são, moram e orgulham-se de seu bairro, porém reconhecem a existência de vida inteligente em outros locais. São capazes de se locomover em outros pontos de vida do Rio e conseguem ir ao médico, dentista, banco, cinemas, restaurantes em outros locais da cidade. Apesar de freqüentarem o Tijuca Tênis Clube, a missa das seis, na Matriz do Sagrado Coração, o Shopping 45 e o Shopping Tijuca, isso não os torna (ainda) “dependente químicos”. Porém, já se referem à praça Saens Peña simplesmente como... A Praça. Grau 3: o pseudotijucano Trata-se de um grupo cada vez mais crescente em nosso meio. Neste incluem-se todos aqueles que não moram na Tijuca, mas adorarariam estar lá. Habitantes do Grajaú, Praça da Bandeira, Largo da Segunda-feira, Estácio, Rio Comprido, Vila Isabel Méier e etc. são potencialmente integrantes desse grupo. Aqui se incluem os “importados”. Aqueles que por razões afetivas, casamentos, namoros casos ou herança, acabaram por ter sua vida ligada àquela região. Grau 4: o incurável Esse sim, o tijucano clássico e já amplamente descrito. Aquele que vive o bairro e não reconhece vida inteligente fora dele. Assíduo freqüentador do Tênis Clube e da Matriz do Sagrado Coração, esse tijucano não consegue se locomover por outros locais. Seu dentista, médico e banco têm que estar a no máximo quatro quarteirões “da praça”. Há dependência química grave do café e dos doces do Palheta e da Vovó Catarina. Compras? Apenas Shopping 45, Shopping Tijuca ou Importadora Guanabara. Anexo I: A todas as graduações, pode-se acrescentar os quesitos A ou B de acordo com o local de residência atual: A= o tijucano ainda reside no bairro B= aquele que cumpriu o sonho dourado... mudou-se para a Barra que, afinal de contas, é da Tijuca...” Texto extraído do livro Tijuca de rua em rua, páginas 81 a 83 de Lili Rose e Nelson Aguiar, tendo como consultora Isabel Lustosa. 31-03-2005 |