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Um filho meu que mora em Copacabana há tempos veio com a idéia de mudar-se para a barra. Não me meto em suas decisões, porém lhe fiz umas ponderações que a princípio lhe pareceram absurdas e depois ganharam algum sentido. Disse eu: “Copacabana é o melhor bairro do Rio para se morar”. Comecei mal, com uma afirmação enfática e isso não é aconselhável. Aí ele me respondeu: “Então por que você mora no Leblon.? Ainda bem que tive presença de espírito como se chamava antigamente à rapidez mental e respondi na tampa: “porque o Leblon é o mais gostoso, não que seja o melhor. Eu moraria em Copacabana com o maior prazer: é perto do centro, tem a praia mais bonita e acolhedora do País, os preços são mais baratos para aluguéis e compra porque o bairro saiu da moda, seus aposentados e aposentadas são umas simpatias, além de bem educados. Há tudo perto e os apartamentos antigos ainda são espaçosos. Além disso há locais não barulhentos. Chega?” Meu filho ficou meio sem resposta porque eu não dissera nenhuma bobagem. Depois dessa conversa fiquei a pensar, a sós: anos 50 e 60 do século passado Copacabana é descoberta pela especulação imobiliária. Anos 70 e 80 já era uma catástrofe urbanística, edifícios aos milhares, colados um nos outros e a máxima exploração do custo do metro quadrado construído. Além disso, as vias de trânsito sendo canais de passagem para o centro da cidade, se tornaram avassaladoras. De modo imperceptível, porém, surgiram várias "Copacabanas". E estas várias Copacabanas são a sua salvação. O Leme é uma Copacabana; o Bairro Peixoto é outra. Certas ruas transversais com bons mais baratos e discretos apartamentos, árvores e silêncio noturno, eis outra face favorável do bairro. Aquela área da Praça Cardeal Arcoverde e a subida da Marechal Mascarenhas forma outra Copacabana, com o metrô na porta. E as quatro primeiras quadras do Posto seis são a glória, e possuem, ademais duas jóias: o Clube Marimbás e o Forte de Copacabana, este a cada dia mais um centro cultural e pólo turístico. Tudo isso sem falar na orla deslumbrante. Em compensação, há uma Copacabana na Avenida que lhe dá o nome e que é infernal, barulhenta, poluída, idem a Barata Ribeiro. E Copacabana à noite é misteriosamente decadente. Copacabana, portanto, não existe. Há, sim, "Copacabanas", mini bairros fascinantes onde se tem e se encontra de tudo. Tudo mesmo. E não há tédio que resista. É só sair para caminhar um pouco. E mais: seu lazer é simples e barato. Um bairro que cresceu errado ficou pronto, mas parou de crescer e já sedimentou as suas funções tornando-se um dos melhores da cidade e com preços muito mais em conta. Milagre brasileiro a cem metros da praia maravilha!
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