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Cortesia Com Chapéu Alheio
Juro não ser preguiça nem
falta de assunto. Recordo-o por estar convencido de que todo brasileiro
deveria lê-lo, principalmente na dolorosa, corrupta e violenta fase na
qual vive o País. Por motivos de espaço vai em texto corrido: É de
autoria do poeta inglês Rudyard Kipling em tradução de Guilherme de
Almeida
SE (IF)
Se és capaz de manter a tua calma quando todo mundo ao teu redor já a
perdeu e te culpa. De crer em ti, quando estão todos duvidando,
e para esses, no entanto, achares uma desculpa. Se és capaz de esperar
sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais
nem pretensioso. Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires. De
sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores. Se, encontrando a Desgraça e
o Triunfo, conseguires tratar da mesma forma esses dois impostores. Se
és capaz de sofrer a dor de ver mudadas em armadilhas as verdades que
disseste, e as coisas por que deste a vida, estraçalhadas e refazê-las
com o bem pouco que te reste. Se és capaz de arriscar numa única parada
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida, e perder, e ao perder, sem
nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida. De forçar
coração, nervos, músculos, tudo, a dar seja o que for que neles ainda
existe. E a persistir assim quando exausto, contudo, resta a vontade em
ti que ainda ordena: "Persiste"!
Se és capaz de entre a plebe não te corromperes, e entre reis, não
perder a naturalidade. E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade. Se és capaz de dar, segundo
por segundo, ao minuto fatal todo o valor e brilho,
tua é a terra, com tudo o que existe no mundo, e - o que é muito mais -
és um Homem, meu filho!
16-05-2006
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