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Paulo Alberto: Ééé, nós ainda precisamos do futebol para ser felizes. Já a felicidade encontra muitas outras formas de existir num país com saúde, escola, universidade, pesquisa e equilíbrio emocional que controle naturalmente violência. A natureza, por exemplo, a natureza pode ser fonte de felicidade...A arte... A ciência... José Koff, interrompendo: Pera lá, Paulinho, aí vem você com a mania de minimizar as coisas ruins. Foi uma vergonha. O Roberto Carlos amarrar a chuteira na hora da falta, isso está muito estranho. Carlinhos Bom Bril: Também acho, Dr. Paulo. Ninguém compreende jogar tão mal assim. Já ouvi falar que tem mutreta nesta jogada. Mariângela: De lá do máximo daquela euforia de melhor do mundo, eu disse a todos vocês que aceitava qualquer aposta que o Brasil perderia nas quartas. Disse, ou não disse, Murilo? Estava tudo combinado entre a Fifa e essas multinacionais. Altos interresses, meus filhos... Murilo: Disse. Mas essa versão é fantasiosa demais: uma armação para que o Brasil não ficasse com a hegemonia no futebol e prejudicasse financeiramente a próxima Copa, diminuindo o teor da disputa. Pra mim é mais um desses boatos delirantes. O ser humano está sempre desconfiando, desconfiando, desconfiando. Duda Monteiro: É isso Tyerri melhor quem Henri por último ( vaia) Cacá Diegues: Eu morei na França durante a ditadura e sei: eles jogam bem. Mas seu futebol não se compara ao nosso. Para mim, tudo se resume num só fato: o Parreira preferiu ficar com o esquema tático, a colocar um marcador severo em cima do Zidane. Só maluco deixa supercraque jogar sem marcação. Viu o contrário? Todos os times jogaram com marcação de dois homens em cima dos nossos melhores jogadores. Alberto Dines: Eu vinha prevenindo, no Observatório da Imprensa, que o Brasil andava mal. Mas, depois da derrota, é impressionante como se refestelaram de gozo muitos daqueles que adoram ver as coisas não darem certo. Já tinham alguém para crucificar, enfim. Giba Machado: Eu bem que avisei: o Lula é pé frio. Já pensou o Brasil ganhando, ele recebendo os jogadores, dando um beijo na careca do Ronaldo fenômeno e dizendo demagogicamente: “Eu te perdôo, meu filho. Hoje nós vamos beber juntos”. (risos). Um velho jornalista, muito ponderado: Sem essa de política, Giba! Sabem de que o Brasil perdeu? De ‘jornalitite’ ou, se preferirem, de ‘midiatite’. Antes que perguntem, vou logo dizendo: o sufixo ite indica inflamação, infecção. A voracidade da cobertura foi de tal ordem, os jogadores foram tão bajulados, que essa infecção informativa, baseada no espetáculo, levou o país e os craques à ilusão. E, quando a ilusão não se confirma, a frustração leva à raiva, ofensa. Conduz as vítimas para a guilhotina. Os corvos do “eu não disse?” do “eu acho” estão felizes. No fundo, no fundo. torciam para derrota, até mesmo sem se dar conta. É a mídianite, a infecção da informação. Paulo Alberto: Por isso é que eu disse: Pobre de um país que precisa do futebol para ser feliz. Para ficar, alegre, vá lá, todo mundo gosta, é esporte. Mas para ficar feliz... só mesmo se não tem outros motivos para felicidade... 03-07-2006 |