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A situação de nossa
imprensa é aflitiva. Está gravemente dividida. Primeiro, porque o
mercado anda restrito e qualquer demissão é difícil de ser compensada
com novo emprego. Por outro lado, o sindicalismo cresceu nos últimos
vinte anos e se partidarizou com quase hegemonia do PT. Essa expansão
abafou a representatividade de instituições magnas como a ABI. A
sindicalização crescente fortaleceu as federações. A FENAJ inflou-se
como Federação Nacional. O PT ampliou sua influência.
Paralelamente, com a expansão da mídia, surgiram organismos
independentes e analíticos sérios como o Observatório da Imprensa e o
pensamento universitário, que de modo apartidário, passaram a ser órgãos
de análise crítica da atividade jornalística, pesquisando-a pelos
aspectos ético e técnico. E o fizeram
com coragem, independência e dureza, eqüidistantes tanto do lado
patronal, quanto do sindical. Ou seja: aumentou a massa crítica.
Aí o PT vai para o governo. E adota na economia, posições
opostas às que sempre defendeu. Nesse momento, quebra-se internamente,
inclusive na infiltração que possui ou possuía na imprensa. Os setores
da esquerda petista, dividem-se entre a decepção com o
governo e manter a esperança nele. Instala-se e está em plena vigência
uma luta surda. Para tentar se equilibrar com os setores petistas à
esquerda do seu governo (mais para social democrata que para
petista ortodoxo), Lula aceita a absurda e autoritária sugestão
da FENAJ para a criação do malfadado Conselho Federal dos Jornalistas. E
tomou outras providências na área da cultura, no sentido de nela colocar
uma orientação estatal. Grita geral: dos liberais, dos sociais
democratas, dos socialistas, dos profissionais,
dos patrões, dos artistas e inclusive de setores democráticos do
próprio PT.
No meio desse bololô todo vive hoje a nossa mídia: totalmente
dividida e ameaçada de uma
ditadura sindical-governamental, em plena democracia, logo, um perigo.
O Governo, em sua divisão interna, tenta ser liberal na economia e
leninista no restante. Não vai dar certo, politicamente falando. Não
há que fazer emendas ao
projeto do Conselho. Há que rejeitá-lo por inteiro. O órgão máximo de nossa profissão ainda é a gloriosa ABI
que tem representação ideologicamente ampla e democrática, é eleita em
voto direto; não é órgão manipulável por governo algum e jamais
tentou cercear a liberdade dos jornalistas. Ao contrário.Mas possui uma
comissão de ética para julgar deformações. Para que um órgão do
governo? 07-10-2004 |