Divagações Domingueiras

DO MEU DIÁRIO

Antipatia é fenômeno bem mais profundo do que se imagina e atinge o centro do ser. Há no bicho homem impulsos interiores mal conhecidos por ele, mal resolvidas, talvez inexpugnáveis, dentro das quais latejam impulsos contraditórios, capazes da maior admiração e de cabal rechaço. É protesto do âmago de um ser negativo, que pode levar ( e leva) a racismo, a preconceito; a raivas gratuitas. Como entre cães: ao se cruzarem ou são indiferentes, cheiram-se e prosseguem ou, ao revés, engalfinham-se, furiosos. Não há razão, salvo incoercível impulso vindo das profundezas viscerais. Da antipatia para a calúnia, a infâmia ou difamação, é um passo.

DA CALÚNIA

A primeira vitória é sempre do caluniador. Este é um dos tipos mais sórdidos. Usa meios ilegítimos, inclusive os jornalísticos, impede a defesa de sua vítima e quase sempre o faz por motivos menores, que vão da antipatia à inveja insuportável. No primeiro momento, um caluniador reles consegue ferir, deprimir, quitar algumas horas de sono. Quem é caluniado precisa de ingente esforço de tolerância, e sabedoria para não se deixar arras(t)ar no sofrimento e poder "deletar", suportar ou exorcizar os males desses ataques. Perdoar é o melhor e o mais difícil dos gestos do caluniado. Num segundo momento o caluniador mergulhará (mesmo que  anos depois) na insuportável culpa ou adoecerá. Só se faz ao próximo o que se está a fazer (interiormente) a si mesmo. Saudável sairá o que perdoou.

DA HIERARQUIA ESPIRITUAL

Existe uma hierarquia espiritual entre as pessoas. Ela desperta fundas invejas. Espíritos rasteiros e baixos ferem-se em demasia com o modo de ser dos mais elevados. Então agridem, difamam, injuriam ou mergulham na calúnia, sua arma. Cabe a espíritos hierarquicamente superiores sofrer os ataques em silêncio. O não revide e a capacidade de sofrer silenciosamente comprovam a superioridade. Deixar o ódio de alguém com ele mesmo, eis o mais duro dos revides.

05-06-2005

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