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Há astros e estrelas que preferem sair de cena no auge. Há os que inconscientemente dão um jeito de morrer cedo e no cume da fama. Viram legendas. Há os que não largam a luta jamais. Emilinha pertencia a esta grei. Artistas existem que não suportam a ausência de palco, aplausos, o amor dos fãs. E como possuía fãs fiéis a Emilinha! Da era do rádio, ela e Marlene constituíram-se em fenômenos de popularidade de alta significação sociológica e de comunicação massiva. Com o tempo a idade desanima alguns admiradores, outros morrem, terceiros envelhecem fiéis. Até hoje Emilinha era querida como ainda foi possível constatar em seu velório e enterro dois dias atrás. Ouvi-a numa antiga entrevista de TV editada anteontem a dizer que faria, sim, quantas cirurgias plásticas necessárias fossem para que ficasse sempre bem e bonita para o seu público. E assim procedeu. Foi perdendo clareza e afinação em sua voz, porém adaptou-a às músicas que cantava, as menos exigentes. Jamais deixou a peteca cair até os 82 anos. Onde a convidassem, da rádio ou TV de maior audiência á de menor, fazia-se presente, sempre catita e alegre. Emilinha era muito inteligente. Sabia falar apenas o que lhe interessasse e jamais caiu em arapucas de perguntas maldosas. Agradecia sempre o espaço que lhe era dado e não deixava de se comportar como a Rainha do Rádio que fora. E era.E é. E será, sempre junto com a Marlene. Além disso, estava sempre presente e a cantar em shows com antigos cantores do rádio, muitos deles promovidos pelos santos Osmar Frazão e José Duba, inclusive um show de músicas antigas todo carnaval e que se efetua num canto da Cinelândia e atrai muita gente. Sempre catita, sorridente e alegre. Jamais se lhe ouviu reclamação de esquecimento, boicote da mídia ou frases depressivas. Lutou por seu lugar até o final e só se comportou como uma estrela em pleno luzimento. Sem arrogância, porém. Quando moça, além de muito bonitinha e charmosa, tinha uma voz curta porém afinada, bem mais segura que nos anos finais. E seja no cinema ou no disco, que a preservaram em seus acervos, hoje tudo isso pode e deve ser recordado. Há um disco da gravadora “Revivendo” que o faz. É ótimo. Não houve “o tempo de Emilinha e seu sucesso”, como disse um repórter: O tempo de Emilinha jamais passou. Ou se passou, ela não deixou nenhum de seus fãs acreditar. E fez muito bem. 06-10-2005Voltar |