ESCOLA SEM FIM

        Ajustar a vida ao que se é, em mistério, dualidade, dúvida e certezas tímidas ou ferozes, é caminhar contra o que interessa à nossa parte interior mais fraca e, também, a mais exigente e cheia de “razões”. Há mil razões para seguirmos nossas partes mais fracas. Há, até, nobres razões. A compreensão, porém, de que elas não nos definem (e de que, internamente, há outras exigências silenciosas, mas definidas) leva o ser a uma coragem que o fará vital, energético, criativo, saudável. E para além da velhice.

            A vida é incessante escola de aperfeiçoamento. Isso todos sabem. Mas ninguém pode ter a pretensão de se desligar desta certeza. Só o constante trabalho, externo e interno, na direção dos mil caminhos de cada ser, torna-o harmônico e feliz, lúcido e sensível. É a realização diária desse exercício interior, o que traz harmonia e paz.

            Como toda vida é dramática, o itinerário de qualquer ser humano na direção do (inevitável) amadurecimento, passando pelo sofrimento inerente ao crescer, é sempre uma saga de heroísmo interior, luta e amor.

            Há grande dramaticidade e méritos na conquista da própria integração e equilíbrio, através da coragem de enfrentar o que a assola, espreita ou irrompe, com perversa destreza, por dentro de nossa atividade consciente e, também, da inconsciente. Por isso, o ser humano tanto aprecia a dramaturgia, novelas, romances. Ali ele vê “em falso” o que existe dentro dele, sem que sempre o perceba...I

Esta é uma das tarefa do humanismo quando vivido em profundidade como pré-condição da construção do ser humano integral,  de que nos falam os avatares, os pensadores, os mestres da vida interior e da espiritualidade, sábios tão mal compreendidos neste século de pragmatismos, dominado de um lado pela economia e do outro pela indústria de armamentos.

 02-02-2005

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