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Passagem interessante da novela Páginas da Vida refere-se à jovem com bulimia, dançarina a contragosto, forçada pela mãe, e que passa a gostar de música e do próprio balé, ao descobrir um novo vizinho, rapaz diferente da média, pianista em formação, daí resultando a aproximação de caráter amoroso. E há que se ressaltar: isto numa juventude intoxicada de rock e outras porcarias que a maioria de rádios e televisões lhe impinge. Remeto-me à leitora-mãe que observa o amor pela arte latejar em seu filho e que tem coragem de lhe incentivar a vocação artística, em vez de sugerir que ele se torne uma “celebridade” do programa TV Fama ou das revistas de fofoca; ou que ele siga uma dessas profissões tradicionais, carreiras já entupidas de gente, tidas como as “que dão dinheiro”. Lembro-me, agora, do grande e imortal compositor alemão, Robert Schumann, nascido em 1810, cuja vocação musical se manifestou desde a infância e que quase foi abafada, porque a família o queria advogado. Um dia, o pai, que era livreiro, o levou para assistir ao concerto de um então grande pianista europeu chamado Moscheles. Deu-se aí, no garoto Schumann, um encontro decisivo consigo mesmo. Os verdadeiros encontros com a destinação profunda de cada ser são inenarráveis momentos de certeza absoluta, na verdade raros momentos que nos são dados ter em uma vida em que dúvida, enigma, mistério, angústia ou necessidade são as marcas centrais. Após ouvir Moscheles, o menino Robert Schumann tem uma e só convicção: será também um grande artista. A intuição, o inconsciente, a natureza da alma são antecipatórios. Proféticos, melhor dito. Ao encontrar a própria destinação, cada ser humano excita-se de susto e esperança por antecipar realização e dor nela contidas. E, realmente, ele mais adivinhou do que soube. Depois que o pai morreu, a família enfrentou dificuldades. Schumann cresceu e chegou a efetuar estudos em busca de formação como advogado, sem jamais deixar de fazer música. Não resistiu, porém. Logo escreveria à sua mãe, pedindo-lhe desculpas e comunicando-lhe a sua inteira opção pela arte. A mãe compreendeu e lhe deu força e conselhos. Hoje ele é um dos imortais da arte dos sons. Por isso, mãe ou pai que lerem esta crônica, prestem acurada atenção à vocação de seus filhos. . Voltar |