Crônica para Artur da Távola

Por Vânia Moreira Diniz

Escrever sempre foi para mim inquestionavelmente o exercício mais importante da minha vida.   E isso aconteceu quando aos seis anos senti  alguma coisa que me impulsionava e a qual eu não resistia. Passei a vibrar com textos de  escritores cuja arte me deixava completamente cativa em seus pormenores ínfimos.

Quando li pela primeira vez  Artur da Távola, senti que jamais poderia deixar de conviver com suas crônicas, poemas , textos. E passei a pesquisa-lo incessantemente, querendo saber também de sua vida e biografia. E quanto mais me aprofundava mais ficava encantada com sua história.

Frases como "Somos carentes de verdade e de justiça, mas a verdade é freqüentemente injusta com o que nos falta, com o lado incompleto de todos nós. Logo, verdade e justiça, duas necessidades do homem, jamais convivem em paz”, me deixavam reflexiva. E isso porque reconhecia a profundidade daquele artista que passara por muitas situações, como ter sido exilado na revolução de 64 e imagino o quanto de pensamentos e idéias, povoaram sua alma, ainda mais preparada para oferecer aos seus leitores a força das palavras, beleza de seus sonhos que iriam logo se transformar em frases, as mais fascinantes e profundas.

Sua vida é um exemplo de multicoloridas atividades e minha opinião pessoal é que  foi levado realmente a essa multiplicidade pela comunicação intensa que possui e  que o fez escritor, jornalista, político e um comunicador incontestável atuando  muito no rádio que pelo qual é apaixonado. E ele cita continuamente uma frase de Roquette Pinto "um dos pioneiros do rádio como instrumento de educação e cultura no Brasil". “o rádio é o livro dos que não sabem ler”

Acha a ética fundamental mas fala dos conflitos naturais do ser humano acreditando que isso é que nos faz crescer e melhorar o planeta tão tumultuado.Portanto sinto nesse homem singular e que tanto admiro a humanidade generosa que emana  e que é o principal e raro atributo do ser humano.

Numa oportunidade se manifestou quanto à harmonia, enigmas,  e dúvidas éticas:

"Diariamente, o ser humano é convocado a buscar dentro de si harmonia, o bem, o que levou o grande psicanalista Yung, no seu livro de memórias, a uma reflexão que me toca muito:" "Nada pode livrar-nos de um diário tormento ético".

Se enunciasse tudo que desejaria sobre o poeta e escritor Artur da Távola sinto que não conseguiria parar, mas faço questão de transcrever o que ele me disse em uma de nossas conversas com absoluta simplicidade : "Vânia: Como eu gostaria de ser tão bom quanto você sinceramente considera!. Sou uma pessoa pacífica, quase comum,  filho de viúva muito cedo, torço pelo Fluminense, com humores, apetites, gostos populares, bom humor e dúvidas existenciais. Gosto de música, mulher que fala baixo e adoro ler vida de santos. Exatamente porque não o sou. Mas fico feliz por sua generosidade que aquece este velho coração.”

Suas crônicas me encantam porque além da versatilidade que é óbvia pelo número incalculável  existe o falar do cotidiano com uma linguagem simples e ao mesmo tempo curiosa e que faz com que desejemos que não acabe nunca. Os assuntos mais pueris transformam-se em suas mãos em uma análise sedutora e muitas vezes filosófica  e  em se tratando de qualquer assunto. Alegra e enriquece o espírito. Encara o mundo de frente com seus conflitos ou alegrias, reflexões enclausuradas, admiração por qualquer ser humano e os contrastes  e curiosidades que os contornam. É um analista ao mesmo tempo generoso, objetivo e amigo, esperançoso, criativo na forma mais brilhante e persuasiva. Compreendendo e desejando a vida em toda a sua expressão. Em suas crônicas estão registradas as dificuldades, interrupções, sonhos ou realidade e a face do intelectual, humanista e artista que conduz o caminho.

 Seus poemas se derramam sentimentais ou objetivos,discursivos ou concisos  mas sempre com grande dose de sensibilidade, beleza, em se tratando do amor, sentimentos, pensamentos e fatos que envolvem a vida e  em conclusões que sensibilizam profundamente.   Cada poema eu o sinto como um ato de carinho, de artista, ao mesmo tempo lúdico e objetivo. Com a sedução da harmonia em seus cantos e da cadência que embala.Entram e tomam conta da alma expressando o que ansiávamos por dizer sem ter encontrado as palavras que o poeta nos entrega simples e docemente. É verdadeiro e é poeta.

Toda a sua obra , crônicas, contos ensaios, poemas ou as inúmeras atividades com essa pluralidade fantástica fazem do escritor, poeta jornalista, advogado e político uma figura ímpar e literalmente brilhante, fecunda, talentosa e valorosa que é orgulho para nosso país e exemplo não só para os profissionais de suas áreas mas para todos os seres humanos.

E é com carinho imenso, que o site Vânia Diniz acolhe o escritor Artur da Távola e lhe deseja  boas vindas com sua coluna que proporcionará a todos nós momentos muito especiais. 

Vânia Moreira Diniz

Brasília, 06-09-2004 

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