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Colégio é só educacional ou também emocional? Os dois. Da educação falem os doutos, deixem-me falar de emoção. Um colégio é o seu álbum, as fotos e coração batendo mais forte. Colégio é estalar de paixões, atrações sensuais, mútuas fantasias desordenadas de peles e olhos se descobrindo. É tentativa e descoberta. Colégio é senha, sanha e sonho. 50 anos depois, vejo os colégios não só como lugar do saber mas do treinar. Treinar para ser gente; falar em público; sofrer; frustrar-se; descobrir incompreensão, simpatia, boas e doidas competições. Já no antigo ginásio, revejo no tempo, e emocionado, o susto do menino tímido no primeiro dia de aula, a dor de barriga, o medo dos grandes. Revejo os machinhos, o garanhão, os piadistas, os chatos, o chulé, o puxa-saco, o filhinho da mamãe, o c.d.f., o craninho, o não quer nada, o cheio de espinhas, o parrudo, o topeira, o lesma, o tapado, o medroso, o suave, a bicha, o artista, o turista, o gênio maluco, o bagunceiro, o Juquinha, o complicado, o fazedor de quadras, o enrolão, o poeta sempre olhando a alma das coisas, o ar doce. Lembro agora, os colégios do velho Ipanema da infância na década de 40. O Fontainha onde estudei o primário, o Melo e Souza feminino e em cuja porta supúnhamos paquerar. O hoje esquecido Colégio Silva Mendes que tinha o melhor campinho de futebol da minha infância, depois fechou, ficou meses trancado, fomos lá e conseguimos bichos empalhados, corujas, o Armando Barroso e eu. E havia o Guanabara, na Praça General Osório, quem se lembra? Na Visconde de Pirajá, onde é a Plavinil, ao lado do Unibanco, havia um colégio cheio de caramboleiras. Foram as melhores carambolas da infância e da vida. Durante todo esse tempo o Colégio Rio de Janeiro lá estava, Rua Nascimento Silva. Colégios do mundo comemorem vossos aniversários. Buscai velhos alunos, turma a turma, ano a ano. Reuni vossos sonhos. Onde andará o primeiro colocado, o que ganhava medalhas? E a menina mais bonita da escola? Que é feito daquela virgindade estonteante? E a moça que morreu? Para onde foi o cleptomaníaco? E os tristes? Ei, o que fizeste de tua vida? Onde foi parar o idealismo? Beleza, onde estás? E a ilusão? Lembras aquele gol, o beijo, a primeira relação sexual? Que males te fez a vida? Que bem passaste?
Colégio, inesquecível vivência do treino para existir. Por isso dói doce
na distância de cinco décadas. Faz bem seu machucar no tempo, tecido da
ternura cicatrizada. |