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Como
estamos recém saídos de eleições, com bons resultados cá nas
Prefeituras brasileiras e péssimo resultado nos Estados Unidos e depois
de muitos anos de vida pública, há anos venho anotando minhas reflexões
sobre a vida pública. Eis algumas: . Vida pública não gera gratidão. Quando
muito – e só às vezes – reconhecimento. E mesmo assim, tardio. . Vida pública é aprender a ser amado ou
detestado em massa. . Vida pública não perdoa o erro. . Vida pública consiste na capacidade de
prosseguir depois das desilusões. . Vida pública priva a vida privada de
privacidade para dar-lhe privações. . Vida pública transforma em alvo quem se
considera artilheiro. . Na vida pública por erros próprios,
paga-se tanto quanto pelos alheios. . Na vida pública só subsiste quem
insiste. . Na vida pública é preciso saber ter
ideal sem ter ilusão. . Na vida pública alguém só está onde
se coloca. . Na vida pública é preciso suportar a
dor de, por vezes, fazer a ética da responsabilidade sobrepor-se à ética
individual. . Na vida pública a queixa nada consegue,
o sofrer em silêncio constrói e somente o saber prosseguir pode (em
escassos casos) conduzir a vitórias. . Na vida pública só é respeitado quem
vence sem derrotar. E sucumbe quem derrota sem vencer. . Na vida pública é preciso aprender a
perder as batalhas do imediato e a não esperar a vitória verdadeira como
prêmio aos sacrifícios. Na vida pública só é respeitado pelos pares, aquele que vence sem derrotar ou humilhar. .
Na vida pública, os honrados devem se ater à essência dos problemas
ainda que a opinião pública esteja a ser conduzida para aferrar-se às
aparências. . Na vida pública entre ser discreto e
ganhar antipatia por desagradar à imprensa e ser indiscreto, mas simpático
aos jornalistas, a antipatia é mais honesta embora nem sempre eficaz. |