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Mães, Sempre Elas
Divido as pessoas em quatro
categorias: 1) as criadas por mãe; 2) as criadas por pai; 3) as criadas
por escola, ou religiões; 4) as criadas por rua.
Apresso-me a dizer que não há tipos
puros. São raríssimos. Em geral, dois tipos de criação predominam.
“Criado por” é a maneira popular de tipificar o “molde” educacional
preponderante na formação de alguém. Em cada pessoa domina um tipo de
modelagem (educação?). É o que mais a influenciou. Pode ter, por
exemplo, presença fortíssima do pai na educação, mas haver incorporado a
formação recebida na escola, ou na rua. Começo por mim. Sou um típico
criado por mãe e rua. O pai morreu cedo, e a escola, mesmo, foi a da
vida e a sabedoria da mãe. A leitura e trabalhar desde cedo muito me
ajudaram. Vou em frente. Renovado, porque sempre em obras... A
influência da mãe opera na linha da sensibilidade e da sabedoria. A
influência da rua opera na linha da capacidade de ir à luta e aprender a
compreender e a se defender.
O machão, por exemplo, é um tipo
criado pelo pai, com forte influência da rua. Ou só da rua. As pessoas
em quem predomina a influência da escola, ou de alguma religião, em
geral são parecidas no modo de comportamento. Por exemplo: todos os
ex-alunos de colégios de padre (sobretudo jesuítas e dominicanos) têm um
comportamento parecido, que respeita as normas e regras e vai para a
vida, de modo correto e conservador. São pessoas resistentes ao novo.
Com exceções, é claro.
Estou disfarçando a emoção, pois o que desejo, mesmo, é lembrar minha
mãe. Sírio-gaúcha valente. Como tantas que hoje recebem homenagens.
Decidida, honesta, viúva com 37 anos e já havendo perdido uma filha de
cinco anos.
Poderia ser daquelas superprotetoras,
que querem o menininho à barra de sua saia. Nada disso. Tirava-me cedo
da cama para ir ao colégio e faculdade, mesmo quando não houvesse a
primeira aula. Viveu para doar-me amor e dedicação. Foi do estilo “mãepai”.
Aos quinze anos, deu-me a chave da casa. Isso me permitiu a exata dose
de rua e de responsabilidade, a qual se mesclou a seu amor, num
resultado que me faz dela lembrar-me hoje, amanhã e sempre, com amor,
saudade, coragem e gratidão incondicionais.
14-05-2006
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