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A propósito de crônica aqui escrita semana passada sobre mulheres que vivem sós (e não solitárias) de Copacabana, recebi a seguinte e comovente carta de Teresa Zurli:(...) “Somos muitas aqui em Copa. Mulheres solitárias, algumas por opção outras por condição. Mas somos felizes aqui! Tem seu mistério morar em Copacabana, embora esteja morando no momento com meus pais, sou só. Seu belo texto me emocionou muito, ainda estou sensibilizada com o que aconteceu aqui em Copa na sexta-feira... Fomos a um show da Itamara Koorax aqui no Hotel Sofitel, um grupo de amigas solitárias de Copacabana, ocupamos várias mesas. Na minha em especial sentou a Maria da Graça, solteira, solitária, sempre escondendo a idade. Fomos apresentadas de verdade naquela noite... O show estava ótimo, a Itamara dedicou-o a uma de nossas amigas. A certa altura, a Maria da Graça levantou para ir ao banheiro, e nós continuamos lá cantando Jobim, Vinicius e outros mais. Maria da Graça não voltou mais para a mesa... Morreu vítima de um enfarte. Todos ficamos chocados e aí, em segundos, a vida da Maria da Graça circulou pela mesa, solteira, sem família, sem documentos. Vivia sozinha em seu apartamento na Bulhões, professora, que não gostava de dizer a idade, sabíamos apenas que no domingo dos namorados seria seu aniversário. Morreu cantando, melhor assim! Todas nós solitárias sentimos medo naquela noite. Não chegou a ser medo da morte, mas da nossa solidão(...)” 21-06-2005 |