Mutreta, Instituição Nacional

                        Noticiário de ontem indica que a entidade Transparência Internacional, que examina os países, entre outros ângulos, pelo grau de corrupção neles existente, coloca o Brasil neste 2006 em posição ainda mais negativa que no ano anterior. Está no lugar número setenta em uma quantidade de cento e tantos partidos. Em suma. Está no lote dos mais corruptos do mundo.

            Não pensem que isso é uma crônica contra o governo. Nem contra nem a favor. É que a análise não trata de corrupção governamental apenas, mas da corrupção que permeia todos os níveis no dia a dia dos países.

            Como dizia meu pai: “ponhamos as mãos na cabeça”. Com isso ele queria dizer: “Paremos para pensar”. E é verdade. Por mais acendrado seja meu amor pelo Brasil e o reconhecimentos de suas grandezas, a criatividade formidável , convivência pluri racial e pluri religiosa, a capacidade de luta por sobrevivência de nosso povo, sua força vital e seu amor pela paz internacional, forçoso é reconhecer: somos um país repleto de jabaculê Estamos entre os principais do mundo.

            Em tudo, há mutreta: nos governos; nas eleições; no Congresso; no Judiciário; no esporte; no comércio; nas fiscalizações oficiais; nas concessões e aposentadoria; nos exames médicos de avaliação funcional; na compra de material para hospitais; nas vans; nas concessões de linhas para ônibus; no desmonte de carros roubados; nas farmácias de muito hospitais; no preço de alimentos; Nos remédios falsificados; agora a mutreta chegou ao pão francês vendido a peso; no bromato que os padeiros colocam no pão; no preço das frutas como melancias e outras nos quais pagamos o peso da casca; nas balanças farjutas; na entrada de armas no País; idem na entrada de drogas; nas concessionárias de automóveis a cada vez em que o carro entra para fazer nem que seja a coisa mais simples (inventam defeitos); nos consertos de televisão, de instalações ou correções elétricas, de aquecedores; descupinização; aparelhos hidráulicos; impressoras de computador; carregadores de cartuchos. Até no preço de estrume para jardins, titica há...

            Isso sem falar nos polenguinhos que a cada ano diminuem de tamanho; nas latas de leite em pó e produtos semelhantes que já chegam quase pela metade; um litro de Coca Cola custa mais caro que um litro de gasolina. Por falar em gasolina, nos preços desta; nas ridículas garrafinhas que inventaram para a água mineral; no “couvert”, sucos e sobremesas dos restaurantes; até o preço dos produtos chamados alternativos, tipo Mundo Verde, é mais caro que os demais. Acabaram como nosso cafezinho, impuseram o expresso que é mais caro, mal feito e amargo pra chuchu

Tudo isso na arraia miúda. Se pensarmos, porém, nas mutretas do grande capital... Bem... nesse caso o jornal inteiro não caberia para colocar todos os exemplo.

Sim, a mutreta é uma instituição nacional.

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