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Quero me anunciar como um admirador de Dona Camilla Parker–Bowles, que se casou, sábado passado, com o Príncipe Charles da Inglaterra. Poucas pessoas foram e são tão hostilizadas, ridicularizadas, cercadas de preconceito, quanto esses dois. E são certos setores “politicamente corretos” da intelectualidade, que se dizem contra preconceitos, os que mais os atacam. Vá lá que os dois tenham figuras boas para caricaturas. O riso, já dizia Bergson, não é regido pelo sentimento e sim pela inteligência pura: fria e seca. Se o sentimento interferir, surgirá a compaixão ou aparecerá a pena e, quem sabe, a solidariedade. Caricaturas e charges absolutamente sensacionais, tanto quanto perversas, abasteceram jornais e televisões do mundo inteiro. Ouve-se uma gargalhada geral a correr o planeta. Mas os dois estão em lua de mel. Festejo em ambos a vitória de algo que se chama amor verdadeiro. Este, quando existe, resiste a tudo, vence raios e trovões, reis, rainhas, conveniências, humilhações e frustrações, ciúmes e regras de conduta. O amor verdadeiro é igual à torcida do Flamengo. Jamais desanima. Outra forma de preconceito contra Camilla é chamá-la de feia, bagulho, mocréia etc. Preconceito contra feiúra é tão odioso quanto o racial, o religioso, o sexual e o social. E, contra o Príncipe, só porque tem aquelas orelhas, é desajeitado e também feio,o preconceito o acoima de zé mané, de panaca e outros pejorativos. Ninguém sabe o que sofrem os feios. E os prodígios de amor de que são capazes. Mas a verdade humana (a válida, no caso) é que nem casado com aquela belezoca, a Diane, o Príncipe Charles – e aqui digo a verdade com todas as suas letras - jamais perdeu a atração física, oriunda da juventude, pela rejeitada Camilla e tampouco ela, casada com um bom homem, deixou de sentir o amor e o tesão que se lhe explodiram na juventude, por seu amado feioso. Ah, o mistério da sexualidade. Mistério total. Tanto encanta e passa, quanto desencanta e depois pode voltar com mais força. “Nos braços de Isabel eu sou mais homem. Nos braços de Isabel eu sou um deus. Os braços de Isabel são meu conforto, quando deixo o cais do porto, pra viver os sonhos meus”. Assim canta um samba imortal deste Brasil de tantos talentos. Está tudo neste pedaço de letra de samba. Qualquer homem é mais homem nos braços de quem o sente como homem. Idem a mulher. É uma questão de cheiro, de pele, de excitação imperiosa, impossível de ser aprisionada por regras de tronos, leis e conveniências. É o caso dos dois, Mais de trinta de anos de fidelidade, obrigados ao máximo de infidelidade, ou seja, obrigados a viver com quem até podiam estimar, porém não era o amor de suas vidas. Mas afinal ela é Duquesa da Cornualha. Está tudo em casa... 12-04-2005 |