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Impressionante como as pessoas pressupõem (preço põem?) as coisas com inconseqüente rapidez. Um homem no Poder é ele e sua circunstância como queria Ortega Y Gasset com todas as pessoas e talvez tenha razão. Falo-o em relação à aluvião de expectativas e “antecipações” da realidade futura, aprisionamento em rótulos dessas que grudam, em relação a Bento XVI. O que já li e vi ^desde a semana passada, de previsões as mais díspares sobre ele é uma cornucópia de onde pode sair tudo, de reacionário a progressista. Querer que um papa seja a favor do aborto e se não for alcunhá-lo de conservador é simplesmente um absurdo. Querer que a igreja deixe de lutar pela constituição e firmeza da família, e chamar de conservador quem o faz, é outro. Mas deixar de ter pelo menos esperança num homem com a cultura do atual Papa, perdoem-me até alguns amigos meus (e,como eles, sou uma pessoa de esquerda só que social democrática) é a enganosa antecipação de uma realidade ainda desconhecida. Eu já vivi perto do Poder como Senador e aprendi uma verdade: A circunstância tem muita força e regras próprias às vezes insuperáveis. E ainda há as influências do Mistério. Além disso, a ética da responsabilidade muitas vezes se sobrepõe ás opiniões individuais no momento de certas decisões. Vejamos, por exemplo, o que as circunstâncias fizeram com o Lula de antes. E ainda veremos o que o ser humano dele fará com as circunstâncias que conseguir ultrapassar. O Lula mesmo bem intencionado, fez quase tudo ao contrário do que pregou por anos. É tudo um turbilhão fascinante de contradições e novas experiências (mesmo para homens maduros) a cada dia. Todos os atos humanos estão prenhes de mistério, acaso, renovação, inusitado, ação humana misturada com destino impossível de ser previsto: o “progressista” Kennedy quis invadir Cuba e iniciou a guerra do Vietnam. O “reacionário” Nixon acabou com essa guerra e ainda reatou relações com a China.. É de se considerar, também, que o efeito televisão, pela primeira vez tão global em mudança de papado, potencializará de maneira inimaginável a ânsia de espiritualidade dos povos. Isso é animador. Enfim..., como dizia Platão: é no turbilhão que acontecem as transformações decisivas. O que podemos -- por maior poder tenhamos -- é muito pouco diante da força tsunâmica da realidade. 26-04-2005 |