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Tem chato que possui um corrosivo poder energético de invadir o outro ou o grupo com a sua conversa. O pior é que ele acaba se impondo. E você vai me perguntar como é que pode. É que o chato jamais dimensiona disponibilidades para as suas urgências. Isto seria suicídio. Vai, sim, se defendendo, esquivando-se dos sinais de desinteresse encapados, ou não, por alguma cordialidade ou resmungo forçado. Cordialidade desnecessária, aliás. É que o chato treinou para ignorar o interlocutor. Não, ele não ouve o que você tem a dizer. E nem sabe se é você mesmo que está por ali. Ou não faz questão que seja. Diante de um chato, o interlocutor silencia. Fica em choque. O pior é que o silêncio induz o chato a acreditar que se está concordando com ele. Mas isto também não pesa. O chato não está nem aí. Agora comece a se mexer, a se movimentar. De alguma forma, você deu corda na máquina. Exato, o chato dispara. O chato é urgente. Para mim, conversa é coisa parecida com amor. Só pode ser muito boa, se for mútuo boa. O indivíduo empático e educado - ao contrário do chato - desenvolve mecanismo de percepção do tônus alheio e faz por adequar o assunto à receptividade adivinhada. Mas não se exija tanto do chato! Aliás, ele não quer saber disso. A conversa do chato jamais vai tentar afinar assunto, momento, predisposição do outro. Isto acabaria com ele. E o chato, você pode escrever, o chato é um sobrevivente. No caso do inteligente (há tantos!), aí o sofrimento ante o chato é dobrado. Porque, repare bem, a fala do chato inteligente até pode ser interessante e criativa. Mas chega fora de hora e de compasso, como não. E é impossível não suspirar, não bocejar. Ou dar um jeito de cair fora, que lá vem ele!, assunto em riste...
01-03-2008 |