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E que tal a festa do réveillon, foi como você imaginou? Superou a expectativa, ou decepcionou? De regra, cada vez que formulamos alguma expectativa sobre algo que vai ocorrer, inundamos o instante futuro, o acaso, o novo, o adiante com resíduos de um passado mental, aquele que engendrou a expectativa e pretende aprisionar a realidade dentro dela. E jogar passado no futuro é uma forma de nunca evoluir. Minha sábia mãe sempre repetia: “o melhor da festa é esperar por ela.” Esta expectativa (que, em muitos casos, ganha o nome e o conceito prodigioso da esperança) modela comportamentos, impulsiona multidões, gera apetites, empurra, justifica, dá o valor de verdades aos mitos que o homem eternamente (se) construirá para explicar e enfrentar o mistério de sua existência, a castração fundamental da sua reduzida capacidade de conhecer a essência do universo ao qual está subjugado, salvo no que alcance pela intuição, pelo êxtase ou pela revelação. Vivemos,
pois, dentro de uma bolha de expectativas, fantasias e vontades que nos
empurram, não para o real e a sua maravilhosa complexidade, mas para
confirmar o sonho, o desejo, a vontade, tudo, enfim, a que estamos
condicionados devido a processos interiores e exteriores sobre os quais
temos pouco controle. Em vez de ver aspirar ao futuro, queremo-lo apenas
como confirmação dos modelos de que dispomos para ele. Daí
a infelicidade. É impossível não ter expectativas. E, já que impossível
não as ter, possível é modelar o seu efeito sobre nós. Seremos tão
mais felizes quanto mais capazes formos de limpar o que está por vir dos
ruídos de um passado que nos faz repetir e repetir as mesmas experiências.
Na maioria das vezes o ser humano é prisioneiro do "antes",
quase nunca hospedeiro do "vir a ser", mensageiro do
"depois", admirador do acaso.
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