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Não
o via há muitos anos, Oswaldo Miranda, uma pessoa que você não conhece
mas foi um dos melhores produtores de programas da extinta TV Tupi. Homem
de merecer medalhas. Ademais, uma pessoa afável e super modesta. Dia
desses arruando pelo Leblon, onde ele também mora, topo com o amigo. Vem
logo julgando-me poderoso: ”Távola, você precisa fazer alguma
coisa!” “Eu?" – respondi – "estou no ostracismo só
tenho a coluna do jornal”! “Pois é lá mesmo”, afirmou, peremptório.
E disse: “a TV brasileira está ficando paulista. Tudo vem de São
Paulo”. “Nem tudo” – digo eu. “Mas quase tudo”, objeta ele.
“Veja só” e desandou a enumerar com espantosa precisão: “Silvio
Santos, Gugu, Ratinho, Hebe, Ney Gonçalves Dias, Olga Bongiovanni,
Clodovil, João Kleber, Nelson Rubens, Luiza Mell, , Luciana Gimenez,
Amaury Junior, Astrid Fontenelle, Leão Lobo, Kelly Key, Luiz Datena,
Gilberto Barros, Roberto Cabrini, Marcelo Rezende, Silvia Abravanel, Otávio
Mesquita, Décio Piccinini, Fernando Fernandes, Alexandre Giachetto,
Fernando Vannucci, Renata Maranhão, Boris Casoy, Salete Lemos, Adriane
Galisteu, Paulo Henrique Amorim, Celso Portioli, Claudete Troiano, Luciano
Alves, Daniel Borki, Sonia Abrão, Jô Soares, Telejornal Hoje, Serginho
Groissman, Carlos Nascimento, Juca
Kfouri, Joelmir Betting, Milton Neves, Carlos Alberto de Nóbrega (e sua
turma), Luiz Ceará (no lugar do Kajuru), Ana Hickmann, Janine Borba,
Silvio Luiz, Moacyr Franco, Golias, Gorete Milagres (Filó), repórter
vesgo, Nilton Travesso, Eliana, Jacaré, Ana Maria Braga, Roberto Avallone...
Tutti Buona Gente! Ainda posso citar mais.. Tudo made in São Paulo.”
Dei-lhe razão e fiz breve defesa de duas emissoras: a Globo e a
TV-E. Pelo menos a Globo faz o Jornal Nacional e o Bom Dia Brasil no Rio,
o humor, as novelas e o esporte, aliás excelente, cá no Rio. E ainda
tem, nos canais a cabo, esse primor de TV de primeiro mundo que é a Globo
News. Mesmo assim, metade dela já vem de São Paulo. E o único programa
do Canal 4, o aberto, que já foi de pessoas pensantes, hoje é de pessoas
bizarras, ou estranhas (algumas – a minoria - interessantes),
o do Jô, mas que é feito em São Paulo, E é mais espetáculo
(divertido) que entrevista. A TV-E é a única emissora em canal aberto
que ainda emite alguma forma de pensamento, tanto no merecidamente imortal
Sem Censura, no inteligente programa Arte Com Sérgio Brito, no A Verdade
e no ótimo Olhar 2004, que embora tarde da noite leva pessoas cultas,
inteligentes e especializadas para falar sério sob o comando seguro da Lúcia
Leme (que deixa as pessoas falarem) Há mais a dizer. Não cabe. A verdade é que a inteligência do Rio está fora da TV, logo do Brasil. 14-09-2004 |