O saber Artístico

O saber artístico da criatividade e esta é uma instância independente, tanto da liberdade como da prisão. A criatividade está por cima e vai além de tudo o que a permite. Para ela, tanto faz. Ela a tudo devora, num processo ontínuo e que não é de destruição e sim de nascimento permanente. Tanto a prisão como a liberdade enfadam-na, cansam-na. A criação ultrapassa, por definição. Está além da liberdade e da prisão. É o povo! Asim é o saber artístico: superior e independente de tudo o que o permite ou o limita.

O saber artístico nem precisa ser conceituado pelo próprio artista! Elementos outros, como intuição, percepção e ultrapassagem, impõem-se sobre os ordenamentos e seletividades típicos da razão.

O saber artístico não é apanágio do artista. O artista é um iluminado temporário que dá expressão a algo que o aflige encanta ou desafia. O artista é, como habitualmente se pensa (sobretudo o artista escritor), alguém que deu solução a seus conflitos (ah, que bom seria...), e sim alguém que dá expressão a eles.

O saber artístico tanto é apanágio do artista como de quem está do outro lado, o receptor da mensagem: o público. Este tem uma forma própria de perceber realidades que são muito mais bem expressas pelos artistas do que pelos pragmáticos e eruditos.

O artista mantém uma relação inter/ativa com o público e a sociedade. É o elo com os elementos abafados no povo (sensibilidade, emoção, sentimento). Os demais saberes, pragmáticos e eruditos, sendo apenas intelectuais, às vezes perdem essa relação. O artista retoma-a, estabelecendo nexos novos com pessoas que são tão artistas quanto ele, apenas não são ativos; são artistas passivos: os receptores.

Tanto é artista quem faz arte e comunicação, como quem recebe. Saber receber arte em extensão e profundidade é tão artístico quanto fazê-la. Não há qualquer diferença!

Ora, o povo sabe receber arte: profunda, superficial, erudita, folclórica, atada ao consumo, liberta dele, tanta paz! O povo sabe entrar em relação com sentimentos profundos, independentemente de os conceituar! A arte permite essa relação. A moderna comunicação de rádio, TV e jornal, também.

A beleza nem sempre está na obra. Pode estar no apreciador! Quantas vezes um grande apreciador é mais artista que certos criadores?


02-12-2004

 

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