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Aquela capacidade de esperar respostas? O riso descontraído, antecessor deste sorriso triste? A máquina que ia escrever o não descoberto e só descobriu o revelado? O momento solar, adivinhado, vivido e negado? O amigo que seguiu sua vida? O conhecido hipócrita que humilha entre abraços e elogios? A vontade de fazer, antes serelepe, crente e confiante? A menina virgem, prometida a terceiros? A duna da praia dos primeiros sussurros? A fantasia do primeiro carnaval e a fotografia do primário: onde está o que lá sofria rindo, olho arregalado, medo no peito, confiança no sangue? O samba canção que guardei, a vontade de estudar Kant e Platão. Onde está dona Ilka, a primeira professora? E a turquinha? A cantiga excitante seguida do susto e da primeira aventura? O bolero, o cuba libre, o traçado, a novela da Rádio Nacional, a festa das normalistas, a valsa "lover"? Aquele porre. Aquela certeza? Com quem fugiu, com quem ficou? Onde está Açucena? O choro que se seguiu ao gesto de amor? A teoria de que me armei, ingênuo? O título, o diploma, o registro, a carteira, o número de ordem? Aquela passagem da viagem de navio? A coerência, a ordem, Descartes? Aquele berro? As tosses no hospital noturno de meu tio moribundo? A angústia dos antepassados? Ficou na fazenda de Juiz de Fora ou na casa de Garibaldi? Ficou no álbum ou perdurou no espaço? Virou livro ou foi jogar "marelinha" nos meus cromossomas? A vila de quatro casas? Aquela medalha? A reprovação? Os canhotos do primeiro pagamento orgulhoso? A amizade que perde? O beijo que não dei? A palavra que faltou? Sou? Sou-sendo. Sou-sido. Sou-fui. Serei só. Fiquei sendo. Fui-serei. Só. O primário, o ginásio, o internato? As universidades para onde não fui senão através de uma sabedoria sofrida e rica, feita da raiva que calei, da palavra que inventei para não ferir, feita pelo olhar redentor de quem me ama? Onde está meu avô e sua mão calosa? A casa grande e o cheiro de figada no tacho com vovó-silêncio no timão? O som de Brahms, o livro de Jung? Onde está o que serei? Que fazer se hoje acordei com estas saudades bobas e doces a dominar o entendimento, perguntando, sem parar? Onde está? Onde estão? |