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Há milhares de pessoas encarceradas, de almas fétidas, doentes de ruindade, perversas, ou simplesmente maldosas, sofridas, não-realizadas, que encaram a vida como tragédia cotidiana, porque se perderam de si mesmas (talvez para sempre) no esquecido momento do passado no qual destruíram, até mesmo sem o saber, a unidade fundamental de seu ser. E hoje propagam crimes, ofensas, dores, de que não se libertam. Isso de perder-se de si mesmo é a grande causa de dor e ofensa, assassinato, violência e morte. Há um momento na infância, no qual a criança pode se perder de si mesma para, talvez, nunca mais (se) achar. Feliz de quem alcança dois privilégios: 1) ter pais que não o façam perder-se de si mesmo, principalmente na fase pré-consciente (até os dois anos, aproximadamente); 2) e o que consegue descobrir, depois de muita luta, memória, terapias, o momento em que se perdeu de si mesmo e alcança redenção única em sua vida: a restituição de unidade fundamental ao seu comportamento. Afinal, sem ela, o ser vagueia sob impulsos e pulsões que desconhece ou não controle. Perder-se de si mesmo é difícil de definir. Algumas causas externas poderosas, tais como a que inibe um choro ou um grito; a que ofende, agride e inibe; a que faz o impulso natural da criança ser calado à força; a que leva o menino ou a menina a se fazer conforme o desejo sinalizado do pai e da mãe. É montar uma "persona(lidade)" ajustada ao que lhe parece mais hábil e merecedor de elogios. Ou, ao contrário, uma personalidade que, por valentia, se opõe de modo rebelde e indômito ao que dela quiseram fazer: os pais, a escola, os demais, o sistema
dominante, a sociedade envolvente. |