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Prezado Ítalo Rossi: Acompanho seu trabalho, sem o prazer de havê-lo conhecido pessoalmente, há cerca de 50 anos. Principalmente no teatro e nas fases de vaca magra (imagino), na televisão. Ninguém sabe como é difícil a sobrevivência financeira de um ator no Brasil, sobretudo se qualificado. Posso, portanto, afirmar com alguma experiência no ramo: você é um grande ator. Não é um bom ator, com serviços prestados etc. Não! Você é um grande ator, desconhecido pelas novas gerações, pois hoje apenas novidades, entretenimento e o que chamam “celebridades” (uma categoria nova e superficial), interessam à imprensa e à própria televisão. Fosse na Inglaterra e seria Sir Ítalo Rossi pela qualidade e quantidade de obra. Você é um ator desse nível. E como não temos o título honroso de Sir eu o nomeio Cavaleiro da Távola Redonda, título de valor subjetivo, eu sei. Mas justo. Na recém acabada e exitosa novela Senhora do Destino você deu uma aula de interpretação interiorizada, no papel do “mordomo” Albert que só os grandes sabem fazer. Por isso homenageio em você (de quem nenhum órgão de imprensa vai se lembrar) a boa qualidade do elenco da novela, capaz até de atenuar o capítulo final mais ridículo da história das telenovelas brasileiras. Ainda bem que o justo sucesso da mesma foi forte o suficiente para apagar essa “tragédia” final. Você, Ítalo é um ator de representação. Esta é uma peculiaridade dos bons atores do teatro. Os seguidores dessa escola não buscam a “naturalidade”, mas a representação simbólica de uma figura psicológica, irrepreensível no modo de colocar a voz, de se mover em cena e de transmitir em plenitude o que significa a subjetividade do personagem apenas com a energia interior e uma notável contenção exterior, que, aliás, a figura do mordomo de famílias de elite, aprendeu a manter, por anos de treino, humilhações e repressões várias... Em humor, dramas ou tragédias de Shakespeare a Pinter, de Sartre a Nelson Rodrigues ou Jorge Andrade, de Molière a Guilherme Figueiredo, de Tchekov a Arthur Miller, de Millor Fernandes a Anouilh, onde seja, no Albert da telenovela ou no Vitor E As Crianças no Poder do teatro, você, Ítalo Rossi, sempre foi e é um grande ator. Por isso simbolizo a qualidade do elenco vitorioso em sua introvertida e sempre modesta contribuição à arte cênica. Um grande ator. Esta é uma frase para muito poucos. 15-03-2005 |