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Não me
refiro ao olhar apaixonado. Falo de alguém. Falo do olhar que paralisa o
outro e não pode desligar. Que se apavora de adivinhar-se possivelmente
feliz e se descobre em profundidade e espanto no poço do outro, no fundo
do qual mora uma certeza nunca antes confirmada.
Ver
com coração e olhos livres, o que ou quem nos foi amor, traz indizível
sensação de bem.
É
preciso saber dar a devida dimensão de tudo, em vez de ser dimensionado
pelo que acontece. A grandeza do amor está na impossibilidade de sua catalogação, cristalização, definição, congelamento em fórmulas, formas e fôrmas. Ele é tão amplo, misterioso e profundo, que sempre está além de onde o colocamos. Sempre surpreende. Sempre é mais. É outro. Aparece diferente. Aumenta na hora de acabar. Diminui na hora de existir. De vez em quando, coincide. Enfada, se permanece. Assusta, se ameaça partir. Cansa na constância. Desanima na inconstância. Cresce, porém, na constância. Vive de um estranhamento. Mas é carregado de afinidade. 18-08-2007 |